sexta-feira, dezembro 17

Prece.

Oh Deus!
Tira de mim este pranto sentido.
Esse sentimento partido,
que não posso carregar.
Tira de mim as ilusões,
as promessas sem paixões
que já não posso suportar.

Se preciso for, tira de mim
este coração.
Grande demais prá este mundo.
Quase um poço sem fundo,
que já não sabe falar não.

Oh Deus!
Evita que tua filha tenha raiva
Daqueles que não sabem o valor de uma paixão.
Ponha no meio do peito,
uma pedra no lugar do respeito.
E no rosto um constante "não".

Se preciso for, interceda.
Não deixe essa chama acesa
por um que não merece mais perdão.
Coloque em meus braços, um constante nó,
para que não hajam mais abraços cobertos de dó.

Oh Deus!
Tira de mim este decoro,
põe no lugar uma barreira,
impeça que o amor seja desperdiçado assim.
Mostre um caminho prá esta ovelha.
Que de tanto amar, perdeu-se na vida.
Atrás daqueles que não sabem retribuir.

Oh Deus!
Diga pelo menos por onde ir.
Como e quando partir.
Para que não hajam mais lágrimas.
Mostra-me o caminho.
E no lugar dessa estória,
coloca um grande aviso:
"no amor é preciso matar os corações".

quinta-feira, novembro 25

Eles querem Liberdade!

Notas Iniciais.

Na última semana percebi um movimento masculino em busca de liberdade. Há muito tempo vinha percebendo isso e, honestamente, acreditava ser uma birra masculina, uma manha ou mesmo uma compliação de atitudes infantis e mimadas dos homens que conheci e com quem conversei.
O blog também facilitou muito as coisas, porque as garotas vinham falar comigo sobre isso e a grande maioria também achava o mesmo. Hoje, meninas e meninos, estou aqui para mostrar que não se trata pura e simplesmente de egoísmo masculino, mas de um movimento necessário que busca a liberdade masculina para encontrar uma identidade masculina.
Espero que gostem.




O movimento feminista e o movimento masculinista - implicações piscológicas e sociais dos relacionamentos.

O movimento feminista foi extremamente importante para a nossa atual conformação social. Acredito porém, que este movimento foi muito mais importante para a mulher individualmente do que socialmente, visto que economicamente o feminismo ainda não faz a diferença necessária e que socialmente ainda enfrentamos vários preconceitos como "mulheres independentes".
Mas isso não vem ao caso agora, penso que, a princípio, as mulheres que iniciaram esse movimento tinham "se cansado de ser mulheres para os homens". É neste sentido que acredito que, primordialmente, as mulheres desejaram a independência para serem "sujeitos de si" e posteriormente, esse desejo foi transferido para outras áreas de atividades humanas. Porém, o princípio permanece: nós, mulheres, queremos ser livres para escolher nossas roupas, maridos, carreira profissional e como gastar nosso dinheiro.
Pensando na estrutura social que gerou o movimento feminista, vemos que tudo isso que queríamos decidir por nós era decidido por outra pessoa, um homem. Éramos mulheres para eles, seguíamos uma tendência de moda e comportamento que os agradava, éramos educadas para sermos boas para eles e não para nós mesmas.
Após muitos anos de luta, conseguimos conquistar nosso lugar, embora com as devidas ressalvas, hoje temos muito mais condições de sermos "sujeitas de si" do que na década passada. E isso é inquestionável. Mas o que fazemos hoje, como conseqüência desse movimento, afeta nossos relacionamentos amorosos de uma maneira que muitas vezes não pensamos - e esse é o ponto onde eu queria chegar.
Ultimamente, tenho notado que hoje, quem quer independência é o homem. De uma certa maneira, podemos falar de um "movimento masculinista". O que eu quero dizer é que, após o movimento feminista, ensinamos os nossos filhos homens a serem homens para essa nova mulher que surgiu. E até o presente momento (ou talvez um pouco antes) eles procuraram ser homens para nós. Ou vai me dizer que você realmente acredita que existe um homem que sabe a data do primeiro beijo, lembra de abrir a porta do carro todas as vezes sem que tenha sido educado para isso? É claro que não, eles (sem ofensas) são criaturas práticas e desinteressadas, muitas vezes até por si mesmos, preferindo tomar lanche a fazer uma boa refeição.
O que tenho percebido é que muito do que eles fazem dentro de um relacionamento não faz parte de sua própria natureza, mas sim, de uma formação passada de mãe para filho. Em outras palavras: educamos nossos filhos para serem os homens que gostaríamos de ter tido. Não que isso seja realmente catastrófico, afinal de contas um homem ter a consciência de que a mulher também é um sujeito autônomo não tem problema algum. O problema está nesta constante pressão que fazemos sobre eles afim de que se tornem homens para suas mulheres enquanto elas são mulheres para si mesmas.

Eles e sua liberdade.

Fica complicado fala de liberdade dentro de um relacionamento. Ainda mais porque na maior parte dos posts eu tento dizer para eles o que fazer para elas. Digamos, que este post é a doce vingança deles. Mas, me ser consenso dizer que a liberdade dela acaba quando a dele começa. E é isso que devemos ter em mente ao falar de liberdade nos relacionamentos: todos somos livres para fazer nossas escolhas, mas devemos sempre ter respeito e consideração com o outro e seus sentimentos.
Lembro-me que antes de escrever este post, pensava ser apenas birra masculina essa coisa de sumir um dia ou não querer ver no outro. Agora entendo que isso, algumas vezes, ultrapassa esse limite. Não estou dando nenhuma desculpa para eles simplesmente "tomarem chá sumiço", não é isso. Acredito que um relacionamento lúcido é aquele que primeiramente deixa as coisas claras, ou seja, não quer ver sua garota, avise-a e se explique, depois compense-a por isso com um programa a dois. Enfim, isso foi falado no outro post.
Essa "birra" masculina é o grito deles por liberdade. Eles querem ser sujeitos para si mesmos dentro de sua vida e dos relacionamentos que travam durante sua vida. Querem ser bons homens para si mesmos para conseguirem ser bons homens para nós. No final das contas, aquele jogo de futebol/basquete ou qualquer que seja; aquela cerveja com os amigos, o feriadão na chácara só com homens ou mesmo aquele dia em que ele fica em casa sem fazer absolutamente nada (nem mesmo te mandar uma mensagem) faz parte do processo deles de "formar uma identidade" e por isso vale a pena respeitar esse momento.
Afinal de contas, um homem mais ciente de si mesmo é mais capaz de negociar conosco, de prestar atenção nas nossas necessidades e desejos e ser o homem que queremos que ele seja.

Agradecimentos

Este post é um passo muito importante para mim dentro da minha concepção de relacionamentos lúcidos e devo isso à algumas pessoas:
Ao Dimitri por ter tido paciência de me mostrar o lado dele.
Ao Rafael (meu namorado) por ter me apresentado o Dimitri e por sempre ter muita paciência com meu lado intempestivo, sempre me mostrando que também existe o lado dele em todas as situações e por me apoiar a escrever sempre sobre todas as coisas.
Ao Ricardo, por ter intermediado minha conversa com o Dimitri e ter trazido questões pontuais e muito significantes.
Ao Acássio por concordar comigo e não me deixar sozinha na mesa defendendo meus pontos de vista.
Às minhas amigas: Cinthia Falchi, Amanda Campos e Ligia Leiko e Laura Pontelli por todas as nossas conversas, sobre relacionamentos ou não.
E a todos os leitores que conversam comigo e me trazem sempre uma novidade para pensar sobre isso.

segunda-feira, novembro 1

Se relacionar é barganhar.

Notas Iniciais.

Este post me veio em mente após enfrentar alguns problemas dentro do meu próprio relacionamento. Sempre soube que as pessoas tem que ceder dentro de uma relação, mas só recentemente me veio a luz de que para ter um bom relacionamento é preciso ser um bom barganhador. E é sobre isso que eu quero falar nesse post.
Ao contrário do que sempre faço, dessa vez eu tentarei ver pelo ponto de vista masculino. E isso pode não dar tão certo assim. Mas, a idéia é dar uma sugestão de atitude dentro de um relacionamento para ser mais fácil para eles terem seu "espaço" e mais fácil para nós ceder nesse ponto tão polêmico.

Mulher é panela de pressão.

É normal, e toda mulher já ouviu: "Eu preciso de um espaço.". Isso nos assusta mais do que qualquer coisa no mundo. Nos deixa inseguras e, na maior parte das vezes, extremamente magoadas. Machuca ouvir do cara que você gosta muito que ele quer passar um tempo longe de você (com bons mativos ou não). O sonho se desfaz e o chão some dos nossos pés.
Essa cena é clássica. Ficamos imaginando o que fazemos de errado. Nos colocamos numa postura de defensiva eterna e nunca temos sossego em nossa alma. E aí a bomba está armada, porque nós, mulheres, frustradas e magoadas somos uma verdadeira panela de pressão. É tudo o que sabemos fazer: pressionar e aliviar. Pressionamos para conseguir a verdade, pressionamos para menstruar, para educar, para avançar na vida, para dar a luz. a um filho. Mulher é panela de pressão, se o cara acende o fogo deixando ela insegura, ela faz pressão. Se ele abranda o fogo com paciência e sabedoria a pressão diminui (não acaba, mas diminui).
Converso com muitos garotos e a maiioria diz que as mulheres são complicadas e ficam bravas por coisas insignificantes. Coisas insignificantes para ele. Uma mulher bem atenta sabe quando as coisas estão bem e quando as coisas estão mal. O que, simplesmente, não quer dizer que ela saiba o que fazer. Normalmente, não sabe. Homens e mulheres são diferentes e cada situação em cada relacionamento é uma situação diferente.
Essas coisas insiginificantes para eles são coisas importantes para nós. Mulheres são seres sensíveis - não no sentido de frágeis ou delicadas - mas, no sentido de sensitivas, quero dizer, precisamos sentir, a pele, o cheiro, a voz, tudo isso faz parte do nosso universo. O poder curativo de uma mulher se deve a essa sensibilidade. A percepção de algo errado, o conhecimento profundo de seu parceiro, de seu universo, de suas crenças, através das coisas do dia-a-dia fazem delas os seres com "sexto sentido". É por isso que são elas as mães e não eles. Sem querer entrar em conflito os homens também tem suas características ascentrais e que são muito intensas e benéficas para o mundo feminino.
Essa pressão toda por coisas que são insignificantes para eles causa a frase acima. Eles se sentem castrados, presos, infelizes. E aí eles querem espaço, tempo, mudam tudo e nós ficamos sangrando.

Tempo, barganha e masculinidade.

O cara que está seguro de si sabe baraganhar com a sua garota. Sabe como convencê-la a "dar permissão" para ele ir ao bar, ao jogo, passar o carnaval com os amigos. Ele barganha, ou seja, faz uma troca. Ele sabe o que ela quer e o que ela precisa, mas sabe também que precisa manter uma postura madura e independente para que ela não o ache infantil e egoista, por isso em troca de seu "tempo" ele oferece algo que ela quer; por exemplo, aquele jantar, aquela visita aos pais dela, aquele momento só dos dois.
É necessário que um homem que sabe ser homem mantenha sua masculinidade. Dentro de um relacionamento, essa masculinidade deve ser revertida em segurança e gentileza. Os homens que se escondem nos carros para falar com a namorada enquanto estão no bar com os amigos dificilmente sabem o que essa namorada precisa, dificilmente prestam atenção nas necessidades dela e acabam por sentirem-se impotentes e pressionados, simplesmente porque não sabem fazer a troca.
Vamos ver dois diálogos, um com barganha e o outro sem. Gostaria muito de receber indicações femininas e masculinas sobre a veracidade ou não desses diálogos.

Diálogo 1 - Sem Barganha.

Ela: Onde você está? Que barulho é esse aí no telefone?
Ele: Não é nada. É a rua aqui perto, estou no carro indo prá casa.
Ela: Você está mentindo. Você disse que chegaria em casa as 18 hrs, agora já são 19:30. O que está acontecendo? (Ficandoo furiosa)
Ele: Nada. Eu me atrasei. Mas, já estou indo.
Ela: Mentiroso. Está com outra né? (gritando)
Ele: Ai! Vai começar com isso de novo? Eu só amo você. Só tenho você;
Ela: Então porque está mentindo? Olha, dane-se, faça o que você quiser. Mas, depois não espere que eu te receba de braços abertos. Idiota.

E desliga o telefone (na cara dele).

Diálogo 2 - Com Barganha.

Ele: Alô? Amor? Amor! Estou aqui na faculdade e encontrei o Henrique. Vou sair, tomar uma breja com ele, conversar, ok?
Ela: Mas amor, você disse que chegari as 18 hrs e que faríamos alguma coisa hoje...
Ele: Eu sei querida. Não esperava encontrá-lo. Faz tempo que queria falar com ele, lembra?
Ela: Ah! Eu sei... Mas, você disse... (fazendo dengo.)
Ele: Eu sei baby. Prometo que te recompensarei por isso. Volto prá casa as 22hrs. Sei que não vai dar tempo de fazer nada, mas passamos o resto do dia juntos e fazemos algo amanhã. Prometo que você não vai se arrepender. ok? Eu pago.
Ela: Ah... Ok. espro você então, se for atrasar me avise. Espero que recompense mesmo. (Em tom de brincadeira séria).

Eles desligam.

Masculinidade é saber o que deve ser feito. E além disso, mostrar preocupação e respeito com as expectativas dela. É dizer que precisa de ajuda e protegê-la de si mesmo. Os homens sabem seu potencial maligno e é disso que devem afastar suas mulheres. dificilmente ela vai aceitar de cara "ser trocada" pelo bando de amigos solteiros ou grosseiros dele; mas se ela souber que isso que foi "tirado dela" será reposto, ela fica tranquila.
Lembrem-se que, indiretamente, ser homem é ser um bom negociador. E um bom negociador sabe o que o cliente procura e precisa. Tudo no relacionamento é troca. Ela vai aceitar uma coisa que ela não quer e ele vai ceder em algo que ele não quer também, assim as coisas ficam iguais. E os riscos da panela de pressão explodir são menores.
Fazer uma mulher feliz não é fácil, ser feliz ao lado de uma mulher frustrada é impossível. Não temos que aceitar o parceiro pelo que ele é sem nada receber. Nem o cara deve ficar ouvindo coisas sem necessidade. Economia de tempo e de humor é o primeiro benefício de uma troca bem feita. E isso leva á outras trocas mais bem feitas depois.


domingo, outubro 17

O que a Filosofia me trouxe - Parte I.

Considerações Iniciais.

Neste post eu pretendo passar a idéia do que foi fazer filosofia nesses últimos 3 anos, aqui em Marília. Pretendo também expor quais foram as coisas que aprendi (ou desaprendi) ao longo desse período. E, muito embora eu odeie o academicismo, entendo que escrevo conforme ele e, além disso, considero válida a formalidade de escrever (em alguns momentos).
Antes de mais nada, aqueles que desejam fazer filosofia podem ler o post e pensar coisas ruins. Mas, acredito que isso é só uma forma de encarar e procurarei não deixar a neutralidade de lado. No entanto, o aviso é dado desde Dante: "Deixe suas esperanças para trás.".


Das perspectivas positivas.

Quando finalmente optei por estudar filosofia e me formar nessa área, a maioria das pessoas - após o estranhamento - me dizia que seria muito bom fazer filosofia, pois era um curso amplo que me daria uma visão de tudo e me traria uma maturidade intelectual muito grande. Mesmo que não fosse um curso prático, que "desse dinheiro" era uma boa opção para começar. Realmente, isso é verdade.
Dentro do curso de filosofia aprendi a ler atentamente e a respeitar as variáveis envolvidas na confecção de cada teoria metafísica, como por exemplo, a época, a história pessoal, a cultura, o ambiente,enfim tudo o que pode influenciar uma pessoa no momento em que ela escreve. Aprendi a avaliar com criticidade todas as linhas que vem na contra mão de uma favorita minha ou mesmo a escolhida para o momento. Além disso, essa mesma criticidade é levada para os outros campos da minha vida, principalmente em relação aos jornais, pesquisas científicas e até mesmo os modismos.
Fora isso, o aprendizado, mesmo que instrumental de uma outra língua e a formação intelectual travada através das inúmeras leituras podem ser um outro ponto a favor do curso de filosofia. A capacidade de poder contrapor idéias e relacioná-las quando necessário também faz parte do conjunto de coisas positivas da filosofia.
Em outras palavras, sempre há uma maneira de argumentar contra ou a favor de alguma idéia ou projeto. Sem querer recair em retórica, essa capacidade argumentativa, no plano introspectivo, pode trazer uma visão mais aguçada de determinado fato - justamente por se ver os vários lados de uma situação - e, por conseqüência, nos faz tomar uma decisão mais acertada dentro de um leque de opções.
Tudo isso, dentro de uma perspectiva que não se torna dogmática, mas flexível e viva, faz da filosofia uma fonte de encantamento, amadurecimento e formação do espírito no sentido hegeliano da coisa. Porém, assim como na filosofia, as coisas possuem várias maneiras de nos afetar. Por isso, agora, vou descrever o que aconteceu comigo no auge da minha leitura filosófica.

"A Filosofia é meu Pathos."

Heiddeger já dizia que o amor à filosofia não é feito nesse sentido romântico, bonito que se pensa e que nos é ensinado. Filosofia é Pathos - no pior sentido que existe. Segundo o autor citado, a filosofia exige uma entrega dolorosa e penosa àquele que dela se torna refém. Pior do que um amor de adolescente, a relação travada com a filosofia por seus amantes é tórrida e muitas vezes salpicada de ódio doentio. Não quero assustar ninguém. Aqueles que amam a filosofia chegaram a mesma conclusão que desejo expor aqui.
Tendo explicado isso, vou elucidar algumas coisas que senti e que se passaram comigo até que eu percebesse que isso era necessário para minha formação não só acadêmica mas pessoal também.

Percebi que a filosofia havia me captado quando decidia passar horas na leitura de um livro à ver aquele seriado que passava na tevê. Até aí, tudo bem. Porém, aos poucos, essa dedicação exclusiva à filosofia me deixou doente, perdi a noção do tempo e do espaço, tudo o que eu vivia parecia estar na minha cabeça e eu não conseguia mais distinguir entre realidade e não realidade. Durante alguém tempo até mesmo a minha percepção de dor se alterou. Eu não sentia meus pés no chão e tinha a sensação constante de desajuste e incompatibilidade social.
O isolamento me parecia a única opção, mas quanto mais isolada, mas perdia a realidade de mim e das coisas. As palavras me fugiam da mente e eu preferia ficar sem falar. Eu não conseguia terminar um raciocínio por já pensar nas formas que ele poderia ser contraposto. Me perdia na cidade como que nunca tivesse andando naquelas ruas. Ia prá faculdade e acabava em um outro lugar. Em suma, fiquei desorientada.

Fitulidade como alternativa para o pathos.

Quando me vi perdida no meio das palavras, na linha do tempo, tive medo. Uma angústia muito grande tomou conta de mim, pensava que seria internada, que perderia todas as minha habilidades que demorei tanto tempo prá conseguir. A verdade é que eu me sentia mutilada, violentada. Minha cabeça não parava um minuto ou não funcionava de maneira nenhuma.
Quase perdi meus amigos, quase perdi meu namorado, quase me perdi dentro de um buraco que cavei em minha mente. E quando eu decidi que precisava de ajuda prá sair dali, fui atrás de fazer alguma coisa nada filosófica.
Comecei assistindo novelas, depois fui à academia e depois me dedica à coisas fúteis como croche, tricô, origami. E através deles comecei a encontrar de novo aquilo que tinha perdido. A percepção dos dias voltou, aos poucos a das horas também. As sensações físicas foram aos poucos se normalizando e minhas reações à algumas coisas voltaram ao normal pouco a pouco. Só de sair com o cachorro para passear já percebia o normativo encontrando seu lugar na minha cabeça. E isso me acalmava.

"Eu só sei fazer filosofia".

Ignorando o que seja "fazer filosofia" declaro que só sei fazer isso. Aceitar que nunca mais pensaria da mesma maneira e que na maior parte do tempo ficarei a margem daquilo dito normal foi o passo principal para aceitar minha nova realidade. Declaro também que a filosofia me amputou as pernas e os braços me deixando incapacitada de escolher outra coisa. Eu respiro filosofia. Eu só sei fazer isso. Não consigo mais não "ser assim". Posso até mesmo mudar de profissão daqui algum tempo, mas serei prá sempre patológicamente filosófica.
Embora essa entrega e o processo que se deu comigo para a formação do meu espírito filosófico tenha sido doloroso e atordoante, encaro isso de uma forma natural. Resolvi me casar com o que acredito ser certo, com o que acredito ser minha vocação e acredito que em qualquer casamento, existem desavenças. Meu casamento com a filosofia também teve e terá muitos processos dolorosos, mas enquanto eles existirem ainda serei apaixonada pelo que faço: filosofia.

sábado, outubro 16

Desapego.

"Somente o dia em que o seu namorado encarar a sua beleza como uma ameaça em potencial ele poderá se mover e ver o que você é capaz de fazer com os outros homens. Até lá, o maior problema dele será o crescente desapego que cresce em seu peito."
Meu Admirador Secreto.

segunda-feira, outubro 4

Uma fase.

-É uma fase. Tem que ser uma fase. Não pode ser assim pro resto da vida, que coisa inútil!

E andando de um lado pro outro morreu acreditando ser apenas uma fase o que lhe fora uma vida de espera.

Cansaço - Ele

Não sabia o que fazer, como agir. Olhava a mulher que estava ao seu lado e ela já não era mais "sua". Sem o sexo, sem a paciência, sem tudo o que é necessário para ter uma garota ele sabia, logo acabaria.
Nenhum dos dois tinha coragem. Um dia um deles teria. Qual dos dois? Depois de tanto ir e vir, depois de todas as vezes que ela se jogara aos pés dela, será que teria coragem? Teria. Já teve. Não estava mais do seu lado.
A mulher que estava ali era outra, seus olhos era frios como a de sua gata. Manhas e dengos em troca de algo. Ele sabia. Ela agia. Mas estava cansado demais prá resolver aquilo, por a mão na massa e trabalhar por aquela outra pessoa. Preferia ficar ali, na frente da tevê, enquanto ela dormia no quarto.

Cansaço - Ela

Cansada do não falar, ela grita. Do não fazer, ela cala. Cansada da vida que levava ela muda. Faz de tudo e ele nada. Em pensamentos ela sabe: nada muda rápido o suficiente. Em pensamentos ela sabe: nenhum homem se torna um bom homem para o atual compromisso.
Cansada da vida diária, da rotina encardida e empoeirada ela abre o guarda-roupa, tira seu melhor sorriso, seu melhor penteado e aquela sandália de salto. Cansada ela se monta toda e sai na rua e lá, bem do lado do cuidado, mora a libertinagem. Um passo, uma decisão. Um deslize, um adeus.

segunda-feira, setembro 6

O que a gente espera?

- Não se preocupe, chegaremos logo.

Não quero me preocupar. Tanto faz quando chego, cedo, tarde. Pontual eu nunca fui. Não me interesso pelo relógio, acho chato, monótono: andar em círculos, que bobagem!
A vida é mais.

-É mesmo?

Sim. Você não percebe?

- Não. Estou sempre atrasado.

E desceram no último ponto de ônibus, andaram 3 quadras e foram tomar uma cerveja com velhos amigos.

quinta-feira, setembro 2

Como me tornei dependente de meu próprio relacionamento.

Notas Iniciais.

Este é um relato de tudo o que tenho passado nos últimos meses dentro do meu relacionamento. Não quero por nomes. Isso é muito mais um retrato do meu estado mental do que de qualquer relação em si. O que pretendo? Se pretendo... Pretendo que aqueles que possam vir a ler estas linhas - escritas sob tantas lágrimas e, agora, debaixo de alguns traços de esperança - possa detectar em seus próprios relacionamentos presentes, passados e até mesmo futuros as atitudes que nos tornam dependentes de nosso próprio relacionamento.

Minha personalidade e minhas atitudes: um passo incerto que me direcionou à uma queda livre em direção à instabilidade emocional.

No começo de tudo, geralmente, as coisas são boas, ótimas. Existe a novidade, a esperança, a vontade de estar viva. Eu me sentia amada, desejada. Haviam discussões, mas ela sempre acabavam bem, sempre surgiam com o intuito de acrescentar, fazer crescer. Nada fazia com nos abalássemos. O ciúme dele, minha necessidade de carinho constante. Tudo fluía em intenção de construir e não de destruir.
Eu tinha péssimos hábitos de independência extremada e falta de consideração pelo sentimento alheio, no caso, alguns que ele sentia. Muitas vezes, queria passar a idéia de que era uma mulher madura, que sabia o que queria. E sabia mesmo. Queria mesmo. Agia com o coração e muitas vezes era de extrema passionalidade e fervorosidade em relação às coisas que me eram preciosas.
Não me importava muito com onde aquilo poderia dar, porque ainda não me permitia estar apaixonada por ele. Negava meus sentimentos. Até que por fim veio a confirmação, ele mesmo disse, na minha frente que não estava apaixonado por mim. Aquilo me destruiu. Senti o peso da paixão reprimida me apertar o peito e chorei. "Ele não está apaixonado por mim." - a esta altura estávamos juntos há uns 3 meses. Convivendo dia-a-dia, dividindo intensamente nossas idéias, necessidades e desejos. E mesmo assim ele não estava apaixonado por mim.
Aquilo que eu dizia prá mim mesma tornou-se real. Teria de aceitar que ele não era apaixonado por mim. Mas, como? A rejeição é difícil para qualquer pessoa. Após 2 anos de um relacionamento muito difícil ao encontrá-lo, permaneci ao seu lado, mantive-me fiel, mesmo sem ter um compromisso assumido. Como poderia, eu, após deixar tantas oportunidades de estar com outras pessoas que eu também desejava, aceitar que aquele que me impunha a castidade não era apaixonado por mim?
Aos poucos, percebi que agia como todas as mulheres do mundo: buscava alguém com quem gostaria de partilhar toda a minha vida. Buscava segurança, estabilidade para poder realizar meus sonhos mais primitivos de constituir uma familia. Vendo assim, não era nem nunca fui independente. Não era uma mulher moderna. A constatação desse fato machucou mais do que a rejeição em si. "Vivi dormindo desde o ultimo relacionamento, não sei nem quem eu sou." - pensei.
Ao assumir que eu não era aquela mulher que mostrava para ele ser, como deixar de mostrar isso? Como fazê-lo entender que meus verdadeiros sonhos não eram abraçar o mundo, viajar e ter vários amantes e experiências amorosas, mas sim, uma casa no campo, três filhas, cães e gatos, um quintal bonito, com flores e uma pequena horta? Como eu previ, ele não entendeu. E não só não entendeu, como repudiou estas idéias. Dizia-me: "Quero isso. Mas não agora." e se afastava lentamente de mim. Mas, eu ver essa reação exagerada pensei: "Mas quem disse que quero isso agora?".
Em conseqüência deste fato, nosso relacionamento começou a se transformar em um amontoado de brigas intermináveis durante a madrugada. Panos rasgados, corações partidos e falta de confiança eram o prato principal. Eu não conseguia fazê-lo feliz porque ele acreditava que se demonstrasse felicidade ao meu lado eu logo faria com que ele assinasse o contrato de união estável. A esta altura fazíamos 10 meses de namoro, com direito a alianças voando e lágrimas convulsivas.

As atitudes que minaram meu relacionamento são mais comuns do que podemos imaginar.

Dentro desse turbilhão todo, conseguíamos ter dias felizes. Mas estávamos sempre alertas. O menor vacilo, a menor possibilidade se transformava em um guerra. Nenhuma conversa poderia ser estabelecida sem que um briga fosse sua conseqüência. Até que o dia que eu temia chegou: ele me disse: "Preciso de um espaço dentro do nosso relacionamento.". Minha alma cabia dentro de uma caixinha de pingentes, daquelas mais baratas e pequenas que se possam imaginar.
Nosso relacionamento estava difícil, pesado. Uma constante insatisfação entre nós dois, até mesmo na cama, nos separava. Mas aquilo era demais para mim. "Espaço para quê? Quando eu precisei de espaço ele não me deu." - não aceitar isso foi meu segundo erro crasso. O primeiro foi não impor minha necessidade de ficar longe quando precisei.
Nesta época estava passando por uma série de problemas e não tinha vontade de sair da cama. E eu via que ele estava me abandonando, mas não conseguia reagir, lutar por isso, justamente porque não achava que seria necessário. Achei que ele entenderia e respeitaria essa fase e mais do que isso, que me ajudaria. Esse foi meu terceiro erro: acreditar que ele, o cara que disse que não era apaixonado por mim, me ajudaria a enfrentar um momento difícil. A confiança se quebrou. E o medo que adquiri dele permaneceu durante muito tempo assombrando nossa relação.
Ele me pediu outra chance e iniciamos o ano tentando colar as peças do meu coração partido. Porém, por mais que se cole, sempre restam marcas. Meu quarto erro foi não dar atenção ao que eu precisava e ceder à ele, permitindo que ele entrasse mais um vez em minha vida, em minha casa e sentasse no lugar de honra: meu coração.
Na tentativa de superar sozinha os problemas criados por duas pessoas, não só entreguei mais um vez meu coração como entreguei minhas forças. E trabalhei duro todos os dias para fazê-lo feliz. Se ele não gostava de vermelho eu não usava, se reclamava que eu ligava demais eu deixava de ligar até mesmo quando realmente precisava. Se ele dizia que gastava demais com celular e mensagens eu cortava o hábito de mandá-las por completo. Se ele dizia que eu fazia algo demais eu parava de fazer. Se falava que fazia algo de menos eu rapidamente iniciava o movimento para satisfazê-lo mais uma vez. Esse foi o meu quinto erro: me doar completamente para satisfazê-lo a ponto de perder minha identidade, minha força de vontade, minha liberdade e minha paixão pela vida.
Quando ele terminou comigo, dizendo que não me amava mais eu só pude chorar, caí no chão e chorei infinitamente, soluçava e não conseguia falar. Gritava com ele: "Eu te dei tudo o que eu tinha! Te dei minha vida, meu tempo, meu amor, meu carinho! E agora você diz que não me ama mais?".
A imagem que se formou na minha cabeça era oposta a que eu tinha no meu coração. Achava ele novo, inexperiente. Achava que com o tempo ele seria melhor, ele entenderia minha natureza e seria gentil comigo. Esse foi meu sexto erro: acreditar que ele poderia mudar, mesmo depois de ouvir isso sem ver a concretização da promessa.

As tentativas de consertar o que estava esmigalhado, as promessas vazias e a repetição dos erros.

Nesse período de 1 ano e meio, terminamos e voltamos tantas vezes que cheguei a ficar confusa em relação ao que eu era para ele. E todas as vezes que eu voltava com ele, fazia exatamente as mesmas coisas. Achando que ele não se doava por não estar preparado para estar ao meu lado. E esse foi o meu sétimo erro: amenizar sempre a culpa que deveria implicar em mudanças de atitudes do lado dele.
No final de tudo, estava amarrada, completamente dependente do meu relacionamento. Sem conseguir terminar, mudar minhas atitudes, ele infeliz, eu infeliz. As brigas continuaram, cada vez piores, eu perdi o controle com qualquer coisa. Gritava. Me sentia um lixo constantemente perto dele. Achava que ele não me amava porque eu era feia, gorda, burra, sem senso de humor, e em conseqüência disso fui ficando cada vez mais deprimida. E ele cada vez mais cansado de ter um "fantasma" do lado dele.
Não faço a menor idéia de como solucionar esse problema. Tento de todas as maneiras encontrar a minha auto-estima, de voltar a fazer as coisas que me apaixonam. E isso tem sido uma forma de cura. Mas, quanto mais me liberto desse relacionamento, mais distante dele eu fico. Talvez, só quando estiver totalmente distanciados, com todas as feridas fechadas é que poderemos construir nosso relacionamento de novo.
Em todas as tentativas eu mudava da água pro vinho para que assim eu pudesse fazê-lo feliz e dessa maneira eu pudesse enfim receber o que eu achava que era direito meu. Até perceber que não posso mudar a cabeça ou o sentimento de qualquer pessoa sem que eu seja quem devo ser. Essa foi a lição mais importante. Porém, o custo que ela teve e as conseqüências que ela trouxe não deveriam se pagos ou vividos por ninguém. Erros são passíveis de ser vividos. Mas ao ver seu objeto de amor transformar-se em algo que você tem medo, como reverter a situação? Como sair dessa teia?
Termino esse post sem nenhuma conclusão. Apenas com a perspectiva de que o primeiro passo para deixar de ser dependente é parar ser dependente em suas atitudes. O retrocesso é necessário, voltar a ser o que se era antes do relacionamento (com as ressalvas necessárias) é a primeira atitude de auto-amor.

sábado, agosto 28

"But I must confess I'm in love with my own sins...."

Fall Out Boy

How To Save A Life - The Fray

Step one you say we need to talk
He walks you say sit down it's just a talk
He smiles politely back at you
You stare politely right on through
Some sort of window to your right
As she goes left and you stay right
Between the lines of fear and blame
And you begin to wonder why you came

Where did I go wrong, I lost a friend
Somewhere along in the bitterness
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life

Let him know that you know best
Cause after all you do know best
Try to slip past his defense
Without granting innocence
Lay down a list of what is wrong
The things you've told him all along
And pray to God he hears you
And pray to God he hears you

Where did I go wrong, I lost a friend
Somewhere along in the bitterness
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life

As he begins to raise his voice
You lower yours and grant him one last choice
Drive until you lose the road
Or break with the ones you've followed
He will do one of two things
He will admit to everything
Or he'll say he's just not the same
And you'll begin to wonder why you came

Where did I go wrong, I lost a friend
Somewhere along in the bitterness
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life

Where did I go wrong, I lost a friend
Somewhere along in the bitterness
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life

How to save a life (2x)

Where did I go wrong, I lost a friend
Somewhere along in the bitterness
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life

Where did I go wrong, I lost a friend
Somewhere along in the bitterness
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life

How to save a life

domingo, julho 11

Xverso - Tiziano Ferro

Il mio sguardo sa difendersi
Ma muore dalla voglia e
Oramai Lo sai
Tutto il giorno e anche la notte
Il tuo pensiero è qua e mi fotte e
Oramai Lo sai
Ora su
Ora giù
30 gradi Fahrenheit il tuo profumo
Scotta
Parli tanto parlo troppo
E adesso trova il modo e fammi stare zitto
Fammi stare zitto

Il fatto è che tu sai cosa cerco
Collo spalle mento
Sono un bastardo cronico
Stringimi forte
Il petto mi sorride xverso
E sgridami se ho torto e dopo
Uno a me uno a te
Uno a tutti e due

Su riposa un poco i tendini
Asciugati e riprenditi
Oramai lo sai
Il mio sguardo sa difendersi
Ma è capace anche ad arrendersi
Lo sai…lo sai
Ora su ora giù
Pancia, piedi, fianchi
Ali degli dei
I tuoi occhi
Ridi tanto rido troppo
Sgomitando con il labbro faccio spazio
E ora fammi spazio

Il fatto è che tu sai cosa cerco
Collo spalle mento
Sono un bastardo cronico
Stringimi forte
Il petto mi sorride xverso
E sgridami se ho torto e dopo
Uno a me uno a te
Uno a tutti e due

Cicatrice poi la luce
Brucia e ti si addice
Tutto ha un gioco tutto è vuoto
Tutti dentro al fuoco

Cicatrice…cicatrice
Poi la luce…poi la luce
Tutto ha un gioco…tutto ha un gioco
Tutti dentro al fuoco

Il fatto è che tu sai cosa cerco
Collo spalle mento
Sono un bastardo cronico
Stringimi forte
Il petto mi sorride xverso
E sgridami se ho torto e dopo
Uno a me uno a te
Uno a tutti e due

Cicatrice poi la luce
Brucia e ti si addice
Tutto ha un gioco tutto è vuoto
Tutti dentro al fuoco
Cicatrice poi la luce
Brucia e ti si addice
Tutto ha un gioco tutto è vuoto
Si, però all' inferno ci vai tu

sexta-feira, junho 25

O Fim - Ela

Dele não saberia mais. Não veria mais. Não queria ver. Estava cansada demais. Magoada demais. Cansada demais. Chorava. A cada passo no caminho da casa dele para a dela lembrava de algo bom que ela havia sentido ao lado dele. A cada metro ela pensava:
- Eu aguento essa barra. Eu consigo. Não vai ser fácil... Mas eu consigo.
Sentia o vento do inicio da manhã e pensava:
- Ele bem que poderia me seguir, me parar na rua e me dizer que estava louco, enganado. Bem que poderia estar atrás de mim.
Mas não estava.
- Mas não está.
E o celular não tocou. A campainha não tocou. E ela. Ela estava só. Firme e só novamente.

quarta-feira, junho 23

A pior recepção. Ou seria decepção?

Hoje tive a pior recepção da minha vida. Sempre que volto da casa dos meus pais, meu namorado me busca na rodoviária. Estávamos bem depois de todas as brigas e discussões. Pelo menos foi o que eu achei.
Mas, depois de 4 dias longe dele e ele me dizendo ter saudades ao telefone. A recepção que tive foi no munimo fria e indiferente. E e que achava que encontraria braços abertos e carinho, encontrei bancos separados, conversa lacônica e indiferença. Não obstante, provavelmente eu é que serei o ser fechado e mau-humorado quando ele tentar se reaproximar.
Que assim seja.

quarta-feira, junho 16

Melancolia

Sou melancólica. Não sou triste, já fui, mas não permaneci assim. O que permanece sempre é a melancolia. Necessária prá que haja poesia, melodia. Ao menos prá mim. "Sou melancólica!" - falo batendo no peito como se dissesse que sou mulher ou brasileira. Com orgulho: melancolia.
Ela me cai bem. Como cairia bem também um bom vestido de seda...
É a melancolia que deixa minhas memórias passarem como um filme em preto e branco na minha mente. É a melancolia que dá sentido aos poetas que leio e às madrugadas vazias. É ela, sempre ela; que me encanta nos cantores italianos e nas peças de balé.
Sem a melancolia eu provavelmente usaria drogas. Mergulharia no inconsciente. Mas ela me traz a reflexão, a degustação da minha história e dos melodramas que gosto de assistir na tevê. Ela me traz meu ar sério, minha sedução. Ela que enfeitou esses olhos que minha me deu. Graças a ela sou o que sou hoje. Se eu tivesse que brindar, brindaria à ela: melancolia.

Um brinde à melancolia!

Andante

Ando por aí como se tivesse milênios pela frente. E tenho. Toda alma boêmia tem. Os dias passam um de cada vez. Mesmo que sejam noites. Mesmo que emendem-se devido à falta de sono. Ando por aí como se fosse a própria encarnação da luxúria. E sou. Os pés leves, o olhar armado. A silhueta bailante.
Ando por aí como se o relógio não fizesse os ponteiros correrem cada vez mais rápido. E não faz. Prá mim, os ponteiros morreram cansados de correr tanto e em círculos. Meu dia é o sol e a lua. O vento marca as horas. O mundo tem seu próprio tempo.
Ando por aí, sem eira nem beira, como se não tivesse nada prá fazer. E não tenho. Nada que seja mais importante do que esse momento. Triste ou feliz. O momento é tudo o que tenho. Apesar de milênios pela frente. O minuto de uma música. De um sorriso. De uma lágrima. Esses minutos sim: pesam como anos.

sexta-feira, maio 21

Daquele coração que não é meu; mas está em mim.

Quando estava deitada em uma cama de hospital, sem poder mexer os braços, as pernas. Sem abrir os olhos. Sentindo aquela pressão que é o peso do corpo, o peso da alma, da dor. Nesse momento de profunda escuridão, onde os olhos não vislumbram nada, nem vultos - visto que vultos são negros e por isso se escondem nas sombras - nesse momento um voz trouxe calor ao meu coração. Uma de suas mãos se estenderam prá mim e lá de longe me levaram para o mundo onírico. E da escuridão passei para a Luz. E do frio, para o abraço. Ouvia sua voz cantando aquela música que - até hoje - de tempos em tempos, me põe a sonhar. E então sonhei:

Sonhei com campos cobertos de corpos, neve e sangue. Ouvi gritos. Uma bárbarie de sons cortantes e decidi que eram espadas. E me cérebro decidiu que aquele era meu reino e eu Rainha daquele guerreiro. E tinha você, em sua armadura de batalha, com sua espada, ao me lado, defendendo-me e ainda assim, permitindo que eu lutasse, que mostrasse minha força.
Logo depois, um flash e havia uma ponte de corda, uma flecha em meu peito, um mago em nossa volta e seu coração na sua mão. E você colocou o seu coração no meu peito. E eu pude ouvir a música que você cantava no quarto,e sentir um calor em meu corpo. E então você pegou o meu coração e colocou no seu peito e disse: "essa será a Rainha que nunca morrerá. Porque não pode morrer, pois o coração dela bate em outro peito e no peito dela, o meu coração sempre baterá."

E então eu acordei e você estava lá, com seu violão, sua voz e seu sorriso, todo seu corpo me dizendo bem-vinda. E eu nem agradeci na hora, nem depois, pela sua vida, que está viva em mim e a minha, que morreu em você...

Túmulo

Queria que me deixasse.
Que me abalasse.
Que me derrubasse desta torre
E me fizesse sentir
O tempo.
O Vento.
O sangue correndo nas veias.
Tudo que eu toco morre.
Tudo que eu sonho morre.
Tudo o que floresce de mim
Em mim morre.

sexta-feira, maio 14

Long Kiss Goodbye - Halcali



Kondo wa itsu aeru ka nante
Sonna kaoshite yoku ierutte
Omotteta yo nande darou
Nani mo ki ni naranai FURIshite
Ii wake suru nara kikou sama de
Tsunagatte taikara

Mou kao mo mitakunai megurokawazoi
Arienai tenkai odoru KEETAI
GOODBYE MEERU naraba wasuretai
"Hold me tight" but "dokka kietai"
Anytime shiberisugi no KY
Chirari miseru tsuyogari na "I cry"
Namida no kouka wa dore kurai?

Watashi na ri ni "ai saretai" afureru no ni kimi ga mienai
Nido to kimi ni aenai sonna ki ga surunda...
Tsutaetai no ni umai kotoba mietara nai watashi tabun
Uso demo ii no ni "ikanai demo" ienai yo

Kushami suru to deru hen na koeto
Kusha kusha ni warau BUSAIKU na kao
Tomaranai ase me wo kosuru kuse
Dou setsu maranai AITSU no tokusei

Nitemo nitsukenai futari no SUTAIRU
Muda ni Shy SENSU wa yayanai
Uso tsuku toki no fukumi warai
UZAI tokku ni BAREBARE mendokusai

Tamatama kareshi gai nai TAIMINGU de
Hima tsubushi teido no koi tte
Tomodachi ni mo ii wakeshitete
Masaka watashi ga oikaketeru...nande?

Tsumaranai JOOKU wa ittsumo kudoku
Douko made mo tsuzuku aki aki na TOOKU
Sono tabi ROKKU kondo wa watashi kara Knock

Watashi na ri ni "ai saretai" afureru no ni kimi ga mienai
Nido to kimi ni aenai sonna ki ga surunda...
Tsutaetai no ni umai kotoba mietara nai watashi tabun
Uso demo ii no ni "ikanai demo" ienai yo

Nigitteta te ga hanaretara
Kimi wa itsuka wasurechau no?
Watashi no koto

Love song (14x)

Watashi na ri ni "ai saretai" afureru no ni kimi ga mienai
Nido to kimi ni aenai sonna ki ga surunda...
Tsutaetai no ni umai kotoba mietara nai watashi tabun
Uso demo ii no ni "ikanai demo" ienai yo

Love song (14x)

Garotas como eu

Sabe qual o problema de garotas como eu????

Elas sentem o mundo no corpo.

sábado, maio 1

Descontrole

Tá bom! Admito: sou depressiva. Não com esse sentido perjorativo, mas com a licença poética de cada dia. Gosto de filmes tristes, de músicas tristes. De lembranças de pessoas que se foram. Gosto disso. De saber que, na minha cabeça, na minha vida, nas coisas todas, as lembranças sempre serão de algo que não volta mais. Ficam na minha memória como pérolas perdidas no oceano, poemas não-escritos e isso torna as coisas únicas prá mim.
Posso também confessar: além de depressiva poética, sou também exigente demais para o mundo moderno. Aposto muito nas relações humanas, nas minhas relações. E muitas e muitas vezes vejo que a modernidade retirou o comprometimento do cardápio de características positivas que uma pessoa pode ter. Soa até cafona dizer em voz alta: sou leal. Mas é. Eu sou... Fazer o quê?
Vá lá, meu relacionamento amoroso não vai bem, não possuo muitos amigos com quem queira compartilhar algumas das mais intimas coisas; mas escrevo elas aqui, porque sei que alguém pode ler. E não é nem pelo motivo da leitura. É simplesmente, porque, por aqui, é mais fácil dizer o que quero. Porque não quero conselhos, fosse assim, iria à um padre. Não quero que alguém me ouça lamurienta como sempre e diga: a vida e as coisas são assim. Quero o afago do silêncio e da frieza. A possibilidade de ter todos os sermões e um abraço. Tudo junto ao mesmo tempo.
E daí que as coisas na minha vida são assim? E daí que me namoro tá por um fio e eu sinto que sou a única pessoa em casa que se compromete e cumpre, que se preocupa e deixar a casa com cara de casa e não com cara de moquifo arrumado? E daí?
Daí que cansa. E a pessoa fica totalmente assim, como estou: sem paciência nem vontade de falar com ninguém que tenha uma cara conhecida. Descontrolada, gritando com todo mundo. Paciência. Paciência o cacete... Tenho lá cara de santa? Devo ter... Por isso tenho mais paciência do que gostaria...
Aff!

Confissões - Ele

Não admitia, mas no fundo precisava confessar: não a amava mais como antes. A amava bem menos do que antes. Não sentia mais tesão pelo seu corpo nu, jogado na cama horas a fio. Não sentia saudades em suas ausencias. De fato, não conseguia confessar que acabava, pouco a pouco, a vida de seu relacionamento. Para não mostrar isso, em todas as ameaças dela de ir embora e não voltar mais, ele pedia: "fique." e ela sempre perguntava o porque, e ele sempre respondia: "porque eu te amo.". Mas, intimamente sabia que não era verdade. Era falso. Não sabia mentir e sabia que ela sempre percebia ao menor descuido seu. Ela era sagaz, sentia as palavras e podia saber a verdade pelo som. Ele era um tanto covarde, tanto por deixar seu relacionamento chegar a este ponto quanto por não dar o tiro de misericórdia.
Sabia disso. E pensava muito sobre isso quando ela se recusava a abraçá-lo ou lhe dava beijos secos e sem amor. Mas, logo se distraia com seus afazeres e adiava para mais tarde o confronto. Sabia que uma hora ele chegaria. Mas não hoje, porque ele tinha muitas coisas para resolver.

Confissões - Ela

Olhando-se no espelho sentia o vazio que andava habitando seu peito fisgar uma parte do seu coração e apertá-lo um pouco mais. sentiu o peso nos ombros, aquele peso, daquela vida que andava levando. Percebeu que poderia passar o resto da noite naquele banheiro, daquele apartamento especifico que ela tanto detestava. Via as olheiras. Sentia o cansaço, mesmo depois de ter dormido mais de 10 horas seguidas. Estava feia. Sentia-se feia. Mal-amada, esquecida pelos toques de carinho e amor que antes eram constantes e lhe davam a confortável sensação de serem para sempre. Mas, principalmente, de serem de verdade.
Estava cansada de brigar. Não conseguia mais chegar perto dele, sentir seus braços envolvendo-a. Achava falso, mentiroso, um ato da mais profunda dessensibilidade humana, se é que isso pode existir. Havia se mudado para algum lugar escondido em seu espírito, esperando que aquele inverno passasse. Não ligava. Não queria. A única coisa em que conseguia se focar era em si mesma e seus trabalhos manuais. Sentia-se só. Invisível. Para ele, para todo mundo. E talvez é assim que gostava de se sentir: invisível, muda, transparente, desaparecida. Só as olheiras poderiam traduzir toda a sua inexistência atual. E gostava disso: dessa melancolia programada; a agonia perto do fim. Gostava porque sabia que depois do inverno sempre vem a primavera.

quarta-feira, abril 21

Ação Solidária II

Proteste contra a matança: as baleias precisam de você*

Apr 9, 2010

A ativista Peggy Oki trabalhou com a WSPA na iniciativa dos origamis de baleias em 2004, que mostraram os problemas decorrentes da caça comercial de baleias.

O mês de abril é uma época perigosa para as baleias nas águas norueguesas: ele marca o início da estação de caça. Sem a sua ajuda, ao longo deste ano, 1.286 baleias minke serão mortas com arpões explosivos e tiros de rifle.

A Noruega precisa saber que isso é inaceitável, AGORA.

A Noruega é um dentre apenas três países que desafiam a proibição internacional à caça comercial das baleias, comprometendo a sua reputação como uma nação progressista, preocupada como o bem-estar animal. Ao firmar o presente abaixo-assinado, você informará ao governo norueguês que se opõe a essa prática cruel e desnecessária.

Uma morte cruel

Tendo em vista o enorme tamanho das baleias, bem como o desafiador ambiente de caça, é simplesmente impossível que o abate seja feito de forma humanitária no mar.
Os próprios dados* da Noruega mostram que pelo menos uma em cada cinco baleias vivencia um longo sofrimento, agonizando até a morte. Algumas levam até mais de uma hora para sucumbir às feridas. Imagine a dor.

Uma crueldade totalmente indesejável e desnecessária. Com o seu apoio, podemos parar com isso.

A maioria dos noruegueses se opõe à caça de baleias

Uma pesquisa de opinião em 2009 apontou que a maioria dos noruegueses considera inaceitável o sofrimento acarretado pela caça às baleias, e que apenas 1% da população consome carne de baleia regularmente.

Em abril de 2010, membros da Whalewatch, a Dyrebeskyttelsen Norge, a NOAH – for dyrs rettigheter e a WSPA - Sociedade Mundial de Proteção Animal enviarão um abaixo-assinado ao Ministério para Assuntos Pesqueiros da Noruega, exigindo um fim para a caça de baleias; o abaixo-assinado já foi assinado por milhares de noruegueses.

Apesar disso, a Noruega continua desafiando a proibição à caça de baleias: a cota comercial de abate em 2010 é a maior em 25 anos. O governo alega receber poucas críticas acerca da caça às baleias. É hora de mudar essa situação.

Manifeste sua oposição à caça às baleias na Noruega. Faça com que sua voz seja ouvida hoje mesmo!

* Texto retirado do link*

* “Caça de baleias mink norueguesas em 2008”, Ministério dos Assuntos Pesqueiros e Costeiros, Noruega (trabalho apresentado no encontro anual da CIB, junho de 2009)


Assine Aqui:

Ação Solidária I

Defenda os animais domésticos dizendo NÃO ao projeto de lei!*

Segundo a Lei de Crimes Ambientais, é crime praticar ato de violência contra qualquer animal. Porém, tramita no Congresso Nacional um Projeto de Lei (PL 4.548/98) que visa acabar com essa proteção para os animais domésticos.

A intenção do Projeto de Lei é alterar o art. 32 da Lei de Crimes Ambientais, retirando a expressão “domésticos e domesticados” e, assim, descriminalizar atos de abuso e maus-tratos contra esses animais.

Essa alteração significaria um enorme retrocesso na história da proteção animal no Brasil, ao tornar ainda mais branda a legislação animal vigente, favorecendo a impunidade.

Os inúmeros casos de maus-tratos que se repetem diariamente no país deixariam de ser crime. O combate às condenáveis rinhas de cães e galos, por exemplo, seria dificultado ao extremo.

Você faria algo bem simples para ajudar os animais domésticos no Brasil?

O momento é delicado, sendo de fundamental importância que todos aqueles que se importam com os animais se manifestem. Lembre-se que a opinião popular é essencial para a aprovação ou rejeição de leis.

A WSPA Brasil elaborou uma carta online a ser enviada aos deputados federais, pedindo que NÃO APROVEM o Projeto de Lei 4.548/98, que modifica o art.32.

Assine Aqui:


*Texto retirado do link*

domingo, março 21

Sobre o Amor e o Amar - sentimentos que derivam.

Muitas e muitas vezes as pessoas não amam simplesmente por medo do sofrer. Sofrimento é algo que afasta os seres humanos de tudo aquilo o que eles desejam e procuram, como por exemplo, a felicidade que tanto é vendida pelos seriados dos canais pagos. "Nada seria mais triste do que um mundo sem esperança". Será?


Ao longo da minha estadia nesse endereço virtual, tenho exposto meus pensamentos sobre o amor, as relações amorosas, as duplas interpretações e o que pode ser dito amor e o que não passa de uma simples relação hormonal. Ao longo desse tempo também, reflito nas questões que mais me abalam, embora exponha pouca coisa, acredito que seja um longo processo initerrupto que passo desde que alcancei a minha vida acadêmica. Juntamente com isso, alcancei uma nova maneira de amar. Mas, persisto na maneira de ser amada. Por que?

Existe espaço para o Amor na vida das pessoas?

Não é facil darmos nosso coração para outra pessoa que - mais cedo ou mais tarde - se tornará um completo estranho para nós. De que maneira, portanto, driblaremos essa insegurança natural do ser humano? Quantas teorias metafísicas serão necessárias? Quantos iluminados percisarão pregar o amor? Diante de toda essa bagunça, do colapso econômico, a suspeita do tão aguardado fim do mundo, a projeção de um futuro auto-sustantável; a pergunta que me sobra é: existe espaço para o amor na vida das pessoas?


Eu tive uma amiga que sempre pregou que o amor verdadeiro era o de mãe, o resto não era amor. Depois dela, conheci o Luis - um amor de pessoa, se me permitem a brincadeira - e ele dizia que o amor estava em toda a parte. Pouco tempo depois, ao iniciar minha mediocre saga na filosofia estudei Aristóteles, que dizia que o amor era o único sentimento que nos aproximava de Deus. E, não muito tempo depois, conheci a história de São Francisco de Assis, por quem - hoje - dedico meus sentimentos mais religiosos. E para todos eles, desde a minha amiga até São Francisco, o amor era algo que fazia parte do mundo e das pessoas.


A minha proposta, infelizmente, nunca é tão clara como eu gostaria que fosse. Eu, muito menos pretenciosa do que já fui, contento-me em expor de maneira coordenada as idéias que passo dias remoendo. Hoje, gostaria de falar - mais um vez - do amor e do amar.
Voltando a pergunta central: será que existe espaço para o amor na vida das pessoas? Talvez, analisando melhor, a questão que precede é: as pessoas querem mesmo ser amadas?

Normalmente, quando dizemos que amamos o outro, quando devotamos à ele nosso amor, junto - no pacote - vem um monte de situações não-agradáveis, ciúmes, mimos, birras e tudo aquilo que conhecemos. Quando nos deparamos com esse sentimento, o amor, muitas vezes queremos que o outro nos ame como e da mesma forma que o amamos. Quase sempre, "amamos mais" do que somos amados. E isso acaba por levar ao fim um relacionamento saudável e tranqüilo para sempre.
O que posso concluir - sem muito aprofundamento - é que muitas vezes queremos sim, ser amados, mas queremos ser amados da maneira que julgamos merecer. E dentro de todo esse desejo de ser amado da melhor maneira possivel, estreitamos as possibilidades de mostrar e receber amor. Ou seja, estreitamos o espaço do amor em nossas vidas.
Para muitos homens a melhor forma de se dar e receber amor é através do sexo. Para muitas mulheres, nada melhor do que ele, literalmente, comprar o mundo inteiro para ela. A incompreensão entre os sexos não é uma questão de gênero ou sexualidade, é uma questão (a ser analisada posteriormente) de individualidades, pois essa incompreensão ocorre também nos casais de mesmo sexo.

O que gera muita frustração depois de alguns anos de namoro ou de casamento é justamente essa falta de espaço para amor. Tanto que muitos casais que se separaram amigavelmente reatam o relacionamento e até mesmo casam-se de novo e ainda completam dizendo: "faltava espaço para percebermos que nos amavámos e erámos felizes juntos.". Não que a separação seja a ultima opção dos casais e não que ela funcione em 100% das vezes. O que se torna claro prá mim nessa altura é que o espaço dado ao amor é insuficiente.

Do Amor para o Amar.

Se o espaço dado para o amor no nosso cotidiano é insuficiente o que podemos fazer para inverter essa situação? Dentro desse mundo pós-moderno, onde as pessoas andam nas ruas com seus fones de ouvidos e sentam-se afastadas uma das outras, como fazer o amor aparecer?

Como eu já disse em outro post, as pessoas não sabem amar. Porque é difícil, doloroso, porque o amor não é algo liquido, ele é viscoso, e o processo do amar é lento. Muitas pessoas acreditam que o amor se dá como nos filmes de Hollywood, instantâneo. E isso contribui muito para a des-educação do amor e o estreitamento do espaço do amor em nossas vidas.

Quando assistimos os filmes como PS: Eu te amo, Um amor prá recordar e por aí vai; queremos ser amados daquela maneira intensa e invariável. Mas, no cinema, não existem (ou pelo menos são ignoradas) as variâncias da vida cotidiana, a acidentalidade do destino é simplesmente uma ferramenta para que os atores principais fiquem juntos.

Na vida real não é bem por aí. Existem encontros e desencontros, oscilações entre o "querer o outro" e o "não querer o outro". O duro processo de amadurecimento da relação, e a crescente sensação de que "amar não é fácil". Tudo isso contribui, incessantemente, para que desejemos ainda mais o amor que vemos nos filmes. O que nos esquecemos é que o amor dos filmes não surgiu da idéia de algum produtor maluco, nos esquecemos de que um dia ele foi real, como amor de nossos avós e bisavós. Dentro dessa afirmativa, eu sei, existem falhas. Mas, o exemplo de avós é muito bom para eu explanar o processo que deriva o amar do amor.

Sabendo o que todo mundo sabe: o amor é um sentimento forte que sentimos por outra pessoa. Mas, está além disso. É algo que está sempre derivando sentimentos e mais sentimentos. Porém, ao tratarmos o amor como sentimento, queremos dizer que ele é sensação. E sensação só existe quando sentimos. Mas, o amor não é sensação. Ele é presente em todos os momentos e, na maioria das vezes, só sentimos a sua ausência e não sua presença.

Vários intelectuais se referiram ao amor como o sentimento mais importante que havia entre as pessoas. Mas o amor é fundamental para que façamos qualquer coisa, desde aprender até ensinar, conviver com diferenças e aceitá-las. Do amor derivam outros sentimentos como o de solidariedade, amor ao próximo, solicitude e bondade. Não coloco compaixão aqui porque a compaixão pressupõe que aceitemos aquilo que está errado no mundo e nos compadeçamos desse erro. O amor ele não aceita erros, egoísmo, frieza. Não pode aceitar o que está errado no mundo. Ele busca a mudança. Lentamente transforma o cenário e as pessoas. E essa transformação se chama Amar.

Amar não é fácil. Nos vemos fazendo coisas, repensando objetivos, nos vemos solícitos aos outros e muitas vezes não reconhecidos. Muitas vezes podemos nos sentir ridicularizados, sozinhos e usados; porém quando amamos existe uma força dentro de nós que vai para além das nossas próprias, que nos levam para longe da desistência e do individualismo. A unica coisa que não varia é o amar e amamos mesmo quando não somos amados, por isso mesmo conseguimos nos recuperar de uma fossa, acreditar em Deus, no destino.

Amor e Amar e os sentimentos que derivam deles são expressos todos os dias se deixarmosespaço para que eles se manifestem. Não depende de nós ou do outro, eles fazem de nós seus instrumentos. O que precisamos fazer é nós desapegar desse medo do fracasso e dessa ansiedade do "tem que dar certo". A liberdade é o caminho do Amor.

quinta-feira, março 11

Distância - Ele

Por mais que ainda sentisse algo por ela, um terrivel inqueitação o atormetava: ela estava diferente. Ele também se encontrava dentro dessa diferença. Existia nela. A possuia. Sabia que fazia parte de todo esse novo cenário, que foi intalado lentamente ao longo dos meses.
Estar com ela era sempre bom. Mas, as vontades contraditórias começavam a deixá-lo confuso, perdido e levemente impotente diante dela e de sua aparente independência. Não sonhava mais com ela. Não ria mais quando a via. Não sentia mais o frio na barriga quando, aos finais de semana, ela viajava.
O que fazia ele, ao lado dela? As vezes via em seus olhos sombras. Prenuncios de um possivel e mal-fadado fim. Calafrios percorriam sua face quando ele a via conversando com outro homem: mais forte ou mais inteligente.
As vezes, a vontade de estar sozinho era maior que o amor que sentia por ela. Mudaram. Mudou-se. E ainda não haviam se encontrado novamente.

Distância - Ela

Ao longo dos dias que passaram lado a lado, ela sentia-se cada vez mais distante daquele, que um dia, foi a pessoa mais intima e próxima dela. Ao ver que, enquanto ele lavava a louça, ela já não mais possuia o ímpeto de abraçá-lo e acarinhá-lo um sentimento de estranheza entrou em seu peito. Uma sombra passou pelos seus olhos.
Continuou ali, sentada no sofá da sala assistindo televisão, enquanto ele estava lá, lavando a louça que ela deixara suja desde o almoço. Pensava em coisas distantes. Um aperto no peito cresceu subitamente. Saudades dos tempos em que não se largavam em nenhum instante. Saudades de olhar naqueles olhos masculinos e sentir-se pertencente à ele.
Enquanto a novela se desenrolava, ela chegou a conclusão da impermanencia. Nem por isso, deixara de amá-lo. Só que agora, um amor arrogante, presunsoço instalara-se nas relações entre eles. Isso a magoava. Sabia que por mais que procurasse, jamais encontraria um amor incansável. Pois a natureza de todas as coisas, incluindo o sentimento, é a mutabilidade.

sábado, janeiro 30

Um não ao perdão inútil.

Esse é post pessoal. E é dedicado às desiludidas de platão.
Peço desculpas. A vida toda peço desculpas. Caminhar com meus próprios pés, sem sonhos.
Não posso. É pesado demais prá mim, que não carrego tijolos alheios.
Peça-me desculpas. Perdão que seja. A resposta será a mesma: não posso.
Não posso perdoar. Não porque não queira. Quero. Mas, não consigo.
Não quero perdoar. Não porque me importe. Me importo. Mas porque não posso deixar ir.
Sofrer todos sofrem. Me entreguei, amei de verdade. Isso não importou.
Não posso te perdoar - é o que eu digo.
Carregarei durante muito tempos isso comigo.
Não posso.
Não te perdoo por ser tão parecido com os outros.
Não te perdoo por ter mentido.
Por não ter me amado.
Por não ter se apaixonado.
Por ter gozado nesse corpo.
Por ter tocado nesse corpo.
Não te perdoo por querer estar comiigo agora que não quero mais.
Por querer amor onde não tem mais.
Não te perdoo por ter se entregado.
Por não ter me respeitado.
Por ter entrado na minha casa e desarrumado a sala.
Não perdoo.
E o que mais não perdoo no mundo é o amor que dei prá você.
Tola que fui.
Boba mesmo. Por achar que poderia perdoar você.