Sou melancólica. Não sou triste, já fui, mas não permaneci assim. O que permanece sempre é a melancolia. Necessária prá que haja poesia, melodia. Ao menos prá mim. "Sou melancólica!" - falo batendo no peito como se dissesse que sou mulher ou brasileira. Com orgulho: melancolia.
Ela me cai bem. Como cairia bem também um bom vestido de seda...
É a melancolia que deixa minhas memórias passarem como um filme em preto e branco na minha mente. É a melancolia que dá sentido aos poetas que leio e às madrugadas vazias. É ela, sempre ela; que me encanta nos cantores italianos e nas peças de balé.
Sem a melancolia eu provavelmente usaria drogas. Mergulharia no inconsciente. Mas ela me traz a reflexão, a degustação da minha história e dos melodramas que gosto de assistir na tevê. Ela me traz meu ar sério, minha sedução. Ela que enfeitou esses olhos que minha me deu. Graças a ela sou o que sou hoje. Se eu tivesse que brindar, brindaria à ela: melancolia.
Um brinde à melancolia!
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