Não admitia, mas no fundo precisava confessar: não a amava mais como antes. A amava bem menos do que antes. Não sentia mais tesão pelo seu corpo nu, jogado na cama horas a fio. Não sentia saudades em suas ausencias. De fato, não conseguia confessar que acabava, pouco a pouco, a vida de seu relacionamento. Para não mostrar isso, em todas as ameaças dela de ir embora e não voltar mais, ele pedia: "fique." e ela sempre perguntava o porque, e ele sempre respondia: "porque eu te amo.". Mas, intimamente sabia que não era verdade. Era falso. Não sabia mentir e sabia que ela sempre percebia ao menor descuido seu. Ela era sagaz, sentia as palavras e podia saber a verdade pelo som. Ele era um tanto covarde, tanto por deixar seu relacionamento chegar a este ponto quanto por não dar o tiro de misericórdia.
Sabia disso. E pensava muito sobre isso quando ela se recusava a abraçá-lo ou lhe dava beijos secos e sem amor. Mas, logo se distraia com seus afazeres e adiava para mais tarde o confronto. Sabia que uma hora ele chegaria. Mas não hoje, porque ele tinha muitas coisas para resolver.
Nenhum comentário:
Postar um comentário