quinta-feira, novembro 25

Eles querem Liberdade!

Notas Iniciais.

Na última semana percebi um movimento masculino em busca de liberdade. Há muito tempo vinha percebendo isso e, honestamente, acreditava ser uma birra masculina, uma manha ou mesmo uma compliação de atitudes infantis e mimadas dos homens que conheci e com quem conversei.
O blog também facilitou muito as coisas, porque as garotas vinham falar comigo sobre isso e a grande maioria também achava o mesmo. Hoje, meninas e meninos, estou aqui para mostrar que não se trata pura e simplesmente de egoísmo masculino, mas de um movimento necessário que busca a liberdade masculina para encontrar uma identidade masculina.
Espero que gostem.




O movimento feminista e o movimento masculinista - implicações piscológicas e sociais dos relacionamentos.

O movimento feminista foi extremamente importante para a nossa atual conformação social. Acredito porém, que este movimento foi muito mais importante para a mulher individualmente do que socialmente, visto que economicamente o feminismo ainda não faz a diferença necessária e que socialmente ainda enfrentamos vários preconceitos como "mulheres independentes".
Mas isso não vem ao caso agora, penso que, a princípio, as mulheres que iniciaram esse movimento tinham "se cansado de ser mulheres para os homens". É neste sentido que acredito que, primordialmente, as mulheres desejaram a independência para serem "sujeitos de si" e posteriormente, esse desejo foi transferido para outras áreas de atividades humanas. Porém, o princípio permanece: nós, mulheres, queremos ser livres para escolher nossas roupas, maridos, carreira profissional e como gastar nosso dinheiro.
Pensando na estrutura social que gerou o movimento feminista, vemos que tudo isso que queríamos decidir por nós era decidido por outra pessoa, um homem. Éramos mulheres para eles, seguíamos uma tendência de moda e comportamento que os agradava, éramos educadas para sermos boas para eles e não para nós mesmas.
Após muitos anos de luta, conseguimos conquistar nosso lugar, embora com as devidas ressalvas, hoje temos muito mais condições de sermos "sujeitas de si" do que na década passada. E isso é inquestionável. Mas o que fazemos hoje, como conseqüência desse movimento, afeta nossos relacionamentos amorosos de uma maneira que muitas vezes não pensamos - e esse é o ponto onde eu queria chegar.
Ultimamente, tenho notado que hoje, quem quer independência é o homem. De uma certa maneira, podemos falar de um "movimento masculinista". O que eu quero dizer é que, após o movimento feminista, ensinamos os nossos filhos homens a serem homens para essa nova mulher que surgiu. E até o presente momento (ou talvez um pouco antes) eles procuraram ser homens para nós. Ou vai me dizer que você realmente acredita que existe um homem que sabe a data do primeiro beijo, lembra de abrir a porta do carro todas as vezes sem que tenha sido educado para isso? É claro que não, eles (sem ofensas) são criaturas práticas e desinteressadas, muitas vezes até por si mesmos, preferindo tomar lanche a fazer uma boa refeição.
O que tenho percebido é que muito do que eles fazem dentro de um relacionamento não faz parte de sua própria natureza, mas sim, de uma formação passada de mãe para filho. Em outras palavras: educamos nossos filhos para serem os homens que gostaríamos de ter tido. Não que isso seja realmente catastrófico, afinal de contas um homem ter a consciência de que a mulher também é um sujeito autônomo não tem problema algum. O problema está nesta constante pressão que fazemos sobre eles afim de que se tornem homens para suas mulheres enquanto elas são mulheres para si mesmas.

Eles e sua liberdade.

Fica complicado fala de liberdade dentro de um relacionamento. Ainda mais porque na maior parte dos posts eu tento dizer para eles o que fazer para elas. Digamos, que este post é a doce vingança deles. Mas, me ser consenso dizer que a liberdade dela acaba quando a dele começa. E é isso que devemos ter em mente ao falar de liberdade nos relacionamentos: todos somos livres para fazer nossas escolhas, mas devemos sempre ter respeito e consideração com o outro e seus sentimentos.
Lembro-me que antes de escrever este post, pensava ser apenas birra masculina essa coisa de sumir um dia ou não querer ver no outro. Agora entendo que isso, algumas vezes, ultrapassa esse limite. Não estou dando nenhuma desculpa para eles simplesmente "tomarem chá sumiço", não é isso. Acredito que um relacionamento lúcido é aquele que primeiramente deixa as coisas claras, ou seja, não quer ver sua garota, avise-a e se explique, depois compense-a por isso com um programa a dois. Enfim, isso foi falado no outro post.
Essa "birra" masculina é o grito deles por liberdade. Eles querem ser sujeitos para si mesmos dentro de sua vida e dos relacionamentos que travam durante sua vida. Querem ser bons homens para si mesmos para conseguirem ser bons homens para nós. No final das contas, aquele jogo de futebol/basquete ou qualquer que seja; aquela cerveja com os amigos, o feriadão na chácara só com homens ou mesmo aquele dia em que ele fica em casa sem fazer absolutamente nada (nem mesmo te mandar uma mensagem) faz parte do processo deles de "formar uma identidade" e por isso vale a pena respeitar esse momento.
Afinal de contas, um homem mais ciente de si mesmo é mais capaz de negociar conosco, de prestar atenção nas nossas necessidades e desejos e ser o homem que queremos que ele seja.

Agradecimentos

Este post é um passo muito importante para mim dentro da minha concepção de relacionamentos lúcidos e devo isso à algumas pessoas:
Ao Dimitri por ter tido paciência de me mostrar o lado dele.
Ao Rafael (meu namorado) por ter me apresentado o Dimitri e por sempre ter muita paciência com meu lado intempestivo, sempre me mostrando que também existe o lado dele em todas as situações e por me apoiar a escrever sempre sobre todas as coisas.
Ao Ricardo, por ter intermediado minha conversa com o Dimitri e ter trazido questões pontuais e muito significantes.
Ao Acássio por concordar comigo e não me deixar sozinha na mesa defendendo meus pontos de vista.
Às minhas amigas: Cinthia Falchi, Amanda Campos e Ligia Leiko e Laura Pontelli por todas as nossas conversas, sobre relacionamentos ou não.
E a todos os leitores que conversam comigo e me trazem sempre uma novidade para pensar sobre isso.

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