quinta-feira, março 11

Distância - Ela

Ao longo dos dias que passaram lado a lado, ela sentia-se cada vez mais distante daquele, que um dia, foi a pessoa mais intima e próxima dela. Ao ver que, enquanto ele lavava a louça, ela já não mais possuia o ímpeto de abraçá-lo e acarinhá-lo um sentimento de estranheza entrou em seu peito. Uma sombra passou pelos seus olhos.
Continuou ali, sentada no sofá da sala assistindo televisão, enquanto ele estava lá, lavando a louça que ela deixara suja desde o almoço. Pensava em coisas distantes. Um aperto no peito cresceu subitamente. Saudades dos tempos em que não se largavam em nenhum instante. Saudades de olhar naqueles olhos masculinos e sentir-se pertencente à ele.
Enquanto a novela se desenrolava, ela chegou a conclusão da impermanencia. Nem por isso, deixara de amá-lo. Só que agora, um amor arrogante, presunsoço instalara-se nas relações entre eles. Isso a magoava. Sabia que por mais que procurasse, jamais encontraria um amor incansável. Pois a natureza de todas as coisas, incluindo o sentimento, é a mutabilidade.

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