quarta-feira, junho 16

Andante

Ando por aí como se tivesse milênios pela frente. E tenho. Toda alma boêmia tem. Os dias passam um de cada vez. Mesmo que sejam noites. Mesmo que emendem-se devido à falta de sono. Ando por aí como se fosse a própria encarnação da luxúria. E sou. Os pés leves, o olhar armado. A silhueta bailante.
Ando por aí como se o relógio não fizesse os ponteiros correrem cada vez mais rápido. E não faz. Prá mim, os ponteiros morreram cansados de correr tanto e em círculos. Meu dia é o sol e a lua. O vento marca as horas. O mundo tem seu próprio tempo.
Ando por aí, sem eira nem beira, como se não tivesse nada prá fazer. E não tenho. Nada que seja mais importante do que esse momento. Triste ou feliz. O momento é tudo o que tenho. Apesar de milênios pela frente. O minuto de uma música. De um sorriso. De uma lágrima. Esses minutos sim: pesam como anos.

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