sexta-feira, dezembro 12

Sobre a perda.

Honestamente, eu nunca fui uma pessoa que soubesse perder. O pouco que tive, tive porque fui muito atrás. Hoje eu já não penso mais assim, prá ser bem franca. Percebi que muito da vida se dá de forma mais simples. Vivo um momento de cada vez. O ruim é que algumas pessoas veem isso como uma forma de desleixo.
Sou feliz, de certa forma. Não sei avaliar o que seria propriamente feliz.
O que seria ser propriamente feliz?
O que seria ser feliz?
^^
De tempos em tempos a gente vê que o mundo fica meio que de pernas pro ar. Estranho né? E como isso acontece eu não sei.
Não sei quando aconteceu de eu crescer, dos meus amigos irem embora, das pessoas que eu vi nascerem ficarem tão bonitas. Não sei quando se deu isso. Nem como.
De certa maneira, é uma forma de perda. Uma perda lenta e gradual, que vem vindo de mansinho, como aquele carinho gostoso da pessoa que você ama logo pela manhã. Uma coisa meio mansa, meio densa, meio inteira.
É... Isso deve ser algo da vida e não do mundo.
Assim como o tempo passa - as perdas acontecem. Perdemos os pedaços no meio do caminho. Perdemos nossa pureza, nossos valores, nossas paixões, nossos romances preferidos, nossas tardes deitados nas gramas da vida.
Aos poucos perdemos. Perdemos porque queremos ganhar. Perdemos porque não sabemos manter. Trocamos tudo como trocamos de pele. Gradualmente.
E isso seria algo ruim?
Depende da forma como você faz isso.
Aprendi que as coisas vão além. Isso que eu queria mostrar...
Vai além...
Eu vou além do meu corpo, você vai além do seu corpo. Vamos além de olhos, bocas, cabelos bonitos, espinhas nos rostos, dores nas costas. Estamos além...
E perder... Perder faz parte disso. Perder também está além de simplesmente não ter mais. Perder é ausência? Sim... Mas, não só isso. É como descamar e manter o corpo vivo, tirar o peso que não nos cabe mais. Deixar que as coisas fluam sempre. Porque sempre estamos perdendo.
E é necessário...
Faz parte do tempo - essa tal de perda.

Nenhum comentário: