Havia tomado uma decisão: era demais manter um relacionamento. Ele não tinha capacidade, estrutura. Queria mudar sua vida, iria embora dali e começaria de novo em outro lugar. Iria deixar tudo para trás, ele já havia feito tudo ali e estava com a sensação firme de que tudo iria mudar.
Estava deixando ela para trás, sabia disso, embora não quisesse admitir. Embora não admitisse que a amava. Até porque ele não sabia o que era amar e no fundo, espera algo grandioso. Via ela chorando e não sabia o que fazer. Dizia que ela deveria aceitar, mas tinha um tijolo bem grande de culpa por saber ter iludido ela nos últimos dias com palavras doces. Sabia, porém, que ela se viraria bem, dos dois ela era a que mais tinha capacidade de se reerguer e continuar a vida. Ele demorara dois anos pra decidir algo por ele mesmo e ainda estava em dúvidas. "Ela não" - ele pensava enquanto ela soluçava - "ela é determinada, não tem medo de viver.".
E foi com esse pensamento que se levantou e foi embora, deixando para trás uma mulher em pedaços, no chão da cozinha, rezando.
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