quinta-feira, março 24

De príncipe a sapo.

Notas Iniciais.

Não tem o que comentar, o título é auto-explicativo. As vezes estamos com pessoas legais, interessantes, mas de repente, em menos de um minuto tudo desaba e o que sobra em pé não é legal de ver. E aí nada além de uma barra de chocolate e um blog para escrever esse tipo de bobagens.

A metamorfose.

Realmente meninas, as vezes parece que estamos no livro do Kafka, a diferença é que o que ele descreve em um bom bocado de páginas acontece, para nós em segundos. E o que leva à essa transformação? O trabalho? Um pelo encravado? Uma espinha? Você não percebeu e chamou ele pelo nome do ex? O que aconteceu? Ninguém sabe. Sabemos é que se estivéssemos nos braços dele naquele momento ele teria nos atirado a milhas de distância.
Claro, exagero meu. Mas, a verdade é: sendo rápida ou não, essa metamorfose acontece. Um dia ele simplesmente não é mais o mesmo. E, enquanto você está preocupada com seu corpo, que já começa a mostrar os sinais de que está perdendo a batalha contra a idade e encara bravamente a crise dos quase 30 e vai prá academia ficar malhada e gata; ele, por sua vez, acaba descobrindo o adolescente reprimido dele e vai atrás de video games e quem sabe quer começar a fazer aulas de violão.
Diferenças a parte, chega um momento em que ele simplesmente não está mais nem aí. Não repara nem se você cortou o cabelo e só te escuta quando você grita - e ainda acrescenta um cínico: calma, não precisa ficar nervosa. O que fazemos quando estamos nessa situação? Qual a saída? Talvez arrumar um adolescente real seja mais fácil do que permanecer nisso. Mas e quando a gente gosta da pessoa metamorfoseada?

Respostas nem tão respostas assim.

A verdade é: aquele lance se anular e deixar que ele descarregue as frustrações das escolhas dele em você não vale mais um tostão furado. Outra verdade é: não adianta esperar - ele nunca mais será o mesmo e provavelmente isso será só uma fase. Devemos aguentar firme então? A resposta é sim. Mas, o diálogo deve existir ou persistir em todos os momentos dos relacionamentos. Não tem essa de que não dá prá conversar, se o cara arruma tempo prá ver videos com os amigos, terá de arrumar um tempo prá você. Caso contrário, gata, ele não está nem aí mesmo.
Paciência é a resposta, mas não uma garantia. Pode ser tanto uma fase, quanto um mudança real e permanente. E no fim das contas: cada caso é um caso. As vezes essa transformação indica alguns problemas que não foram resolvidos e que agora precisam se solucionar. Caso haja concordância isso pode ser perfeitamente superado. Caso não, melhor dar linha pipa e cair na pista novamente.



quarta-feira, março 9

Raiva - Ele

Ele sabia que ela estava brava. Sabia que ela não o amava mais e nem gostava mais dele. Sabia que isso a protegia e a mantinha distante da pessoa que a machucara tanto. Só não sabia quanto tempo aquilo duraria.
As vezes havia um lampejo e ela voltava a ser doce e carinhosa e logo depois disso ela se fechava e se afastava, abandonando-o com um personalidade fria e indiferente, que não conversava, nem mostrava nada fora desprezo e raiva.
Ele não sabia o que fazer. Já havia feito promessas, dito que as coisas mudariam, mas ela sempre ia embora e deixava somente seu lado mau do lado dele. Talvez ele pensasse que depois de um tempo tudo ficaria bem. Gostava dela, porém, não dizia a ela o que ela precisava ouvir por não saber se aquilo seria bom ou não, e também por não saber se era aquilo o que sentia.
Mas, no fundo, sabia que ela só pensaria em voltar para ele se ele dissesse aquelas palavras e se sentisse que elas eram de verdade. Havia uma grande chance de tudo nem começar a melhorar e ele sentia isso e se esforçava para que isso não acontecesse.
No entanto, o fato de simplesmente não saber o que fazer com a raiva que ela sentia agora atrapalhava um pouco as coisas. As projeções e as energias estavam pesadas.

Raiva - Ela

Toda aquela raiva que ela não queria sentir, ela passou a sentir. Não queria, lutava contra isso, mas a confiança quebrada, as mentiras, os sonhos quebrados - tudo isso vinha a tona nos momentos mais inapropriados.
Quanto mais tempo longe dele ela passasse melhor. ela não conseguia ser agradável. haviam muitas coisas entaladas na sua garganta, mas ele achava que o assunto já estava resolvido e ela não queria voltar em uma discussão sem fim.
Sabia que se ela tinha decido estar do lado dele teria que superar isso. Mas esse era o inferno dela. Que infelizmente, respingava nele. E ao longo de todo esse processo ela o abandonara para não sentir mais raiva, ficar mais incomodada com os carinhos que lhes pareciam falsos ou mesmo ser indiferente a qualquer coisa que ele fizesse.
Não queria passar muito tempo fingindo, mas também não queria tomar a decisão de voltar definitivamente agora. Quanto mais ela adiasse melhor seria. Depois de tantos fins, o fim deles chegaria de qualquer jeito ela pensava. E assim seguiria até onde desse.

Mudanças (parte II) - Ele

Agora que ele havia resolvido ficar e encarar alguns fatos de sua vida achava que seria possível consertar algumas coisas com ela e quem saber resgatar o sentimento que havia sentido a um mês e meio atrás.
Não sabia ao certo o que sentia. Dizia que gostava dela, mas não a amava. No fundo esperava que isso fosse o suficiente, mas sabia que não era. Olhava para ela e via que ela não era mais ela. Que as coisas haviam mudado. Seu choro era um choro de fim e ele percebia que ela não estava feliz pela proposta dele. E percebia que se ela voltasse, não seria ela ao lado dele. Talvez teria carinho, talvez teria companhia. Mas no final das contas, o que ele teria mesmo era muito trabalho.
A confiança que ela depositara nele sem hesitação havia sido quebrada - de novo. E ambos sabiam que ela estava fechada para ele, em muitos aspectos importantes para que um relacionamento progrida.
Talvez ele pensasse agora: "o que foi que eu fiz?" - mas talvez só pensasse que ela deveria aceitar sua proposta porque até ontem ela era louca por ele.

Mudanças (parte II) - Ela

Estavam abraçados, ela havia decidido que o ajudaria com as coisas, que estaria do lado dele. Não queria carregar raiva de nada e agora, eles não tinham nada.
O jeito com que ele havia aberto a porta, até parecia que ele tinha ficado feliz em vê-la - mas ela não se deixou enganar enquanto estavam em silêncio ela dizia para si mesma que tudo havia acabado. Sentia-se diferente, melhor. Sentia como se todo seu sex apeal tivesse voltado. Estava bem, com romances esporádicos e ele, ela sabia, seria só mais desses que ela encontrava para passar o tempo. Pensava firmemente nisso. Tanto que falou isso em voz alta, falou que tudo havia acabado.
Chorou um choro de luto, de fim. Não era desespero, não era dor nem solidão ou abandono. Era o choro de quem lembra do passado e sente saudades porque sabe que aquilo nunca mais vai voltar.
"Vamos ficar juntos, vamos ficar bem gatinha." - ele disse. E ela chorou mais ao dizer que não dava para ficar bem de novo.
No fundo, ela não queria.

Mudanças (parte I) - Ele

Havia tomado uma decisão: era demais manter um relacionamento. Ele não tinha capacidade, estrutura. Queria mudar sua vida, iria embora dali e começaria de novo em outro lugar. Iria deixar tudo para trás, ele já havia feito tudo ali e estava com a sensação firme de que tudo iria mudar.
Estava deixando ela para trás, sabia disso, embora não quisesse admitir. Embora não admitisse que a amava. Até porque ele não sabia o que era amar e no fundo, espera algo grandioso. Via ela chorando e não sabia o que fazer. Dizia que ela deveria aceitar, mas tinha um tijolo bem grande de culpa por saber ter iludido ela nos últimos dias com palavras doces. Sabia, porém, que ela se viraria bem, dos dois ela era a que mais tinha capacidade de se reerguer e continuar a vida. Ele demorara dois anos pra decidir algo por ele mesmo e ainda estava em dúvidas. "Ela não" - ele pensava enquanto ela soluçava - "ela é determinada, não tem medo de viver.".
E foi com esse pensamento que se levantou e foi embora, deixando para trás uma mulher em pedaços, no chão da cozinha, rezando.

Mudanças (parte I) - Ela

Depois de dias felizes um ao lado do outro, ela se depara com a infeliz mudança do destino: ele havia voltado para ela, mas não ficaria com ela por muito tempo. Como o suspiro do moribundo antes da morte, assim foi aqueles momentos últimos de amor que ela teve dele.
Tudo estava mudado. Ele a jogara fora novamente. Se sentia suja, usada como uma peça de roupa descartável. Sentia-se invadida. Tinha raiva e pena dele. Chorava compulsivamente sentada no chão da cozinha e em seus pensamentos só havia um prece: "Por favor Senhor Deus, tem piedade e afasta esse sentimento ruim do meu coração.". Sim, ela pedia para que nunca mais sentisse nada por ele. Para que ele nunca mais retornasse à sua porta e para que ela não precisasse ter raiva, vergonha ou medo de tudo aquilo que ia embora e aquilo que chegava de novo.
O ar faltava, sumia. As mãos tremiam e ela chorava. Estava abandonada por ele mais um vez.

Reencontro - Ele

Dentro de seu peito um sentimento enorme era transbordado. Como não percebera antes que a mulher que ele precisava, queria, desejava e buscava estava ali ao lado dele? O tempo afastado havia sido positivo, ele pensara sobre as coisas e descobrira-se apaixonado por ela novamente.
Nestes dias estar com ela e sentir sua pele macia era tudo o que desejava. Aquela insanidade toda que ambos haviam criado tinha finalmente ido embora.
Porém, algo em sua mente não o deixava tranqüilo, como se num sonho bom houvesse sempre o medo de acordar e tudo desaparecer na sua frente. Lutava com ele mesmo para manter as coisas tranqüilas e calmas. Afinal de contas, depois de todos os despeitos e humilhações ela o havia aceitado de volta, com os braços abertos e com todo o carinho que ele não imaginava receber tão cedo. Ela o perdoara e ele deveria fazer o melhor que pudesse. E mesmo inquieto ele queria dar o melhor à ela.

Reencontro - Ela

Estava feliz. Ele havia voltado para ela do jeito que ela sempre o tivera antes. Amável, carinhoso, apaixonado. Não podia querer outra coisa da vida. Pensava no futuro, nas coisas que eles iriam fazer juntos. Estava em paz.
Olhava nos olhos dele e o reconhecia, aquela sombra fora embora. Estavam bem e começavam o ano da melhor maneira possível. "Aquele pesadelo acabou" - pensava ela. E os ventos de janeiro sopravam calmos e tranqüilos. Havia paz e diálogo. Tudo parecia ter sido pausado e o tempo era só deles naquele momento.