sexta-feira, junho 25

O Fim - Ela

Dele não saberia mais. Não veria mais. Não queria ver. Estava cansada demais. Magoada demais. Cansada demais. Chorava. A cada passo no caminho da casa dele para a dela lembrava de algo bom que ela havia sentido ao lado dele. A cada metro ela pensava:
- Eu aguento essa barra. Eu consigo. Não vai ser fácil... Mas eu consigo.
Sentia o vento do inicio da manhã e pensava:
- Ele bem que poderia me seguir, me parar na rua e me dizer que estava louco, enganado. Bem que poderia estar atrás de mim.
Mas não estava.
- Mas não está.
E o celular não tocou. A campainha não tocou. E ela. Ela estava só. Firme e só novamente.

quarta-feira, junho 23

A pior recepção. Ou seria decepção?

Hoje tive a pior recepção da minha vida. Sempre que volto da casa dos meus pais, meu namorado me busca na rodoviária. Estávamos bem depois de todas as brigas e discussões. Pelo menos foi o que eu achei.
Mas, depois de 4 dias longe dele e ele me dizendo ter saudades ao telefone. A recepção que tive foi no munimo fria e indiferente. E e que achava que encontraria braços abertos e carinho, encontrei bancos separados, conversa lacônica e indiferença. Não obstante, provavelmente eu é que serei o ser fechado e mau-humorado quando ele tentar se reaproximar.
Que assim seja.

quarta-feira, junho 16

Melancolia

Sou melancólica. Não sou triste, já fui, mas não permaneci assim. O que permanece sempre é a melancolia. Necessária prá que haja poesia, melodia. Ao menos prá mim. "Sou melancólica!" - falo batendo no peito como se dissesse que sou mulher ou brasileira. Com orgulho: melancolia.
Ela me cai bem. Como cairia bem também um bom vestido de seda...
É a melancolia que deixa minhas memórias passarem como um filme em preto e branco na minha mente. É a melancolia que dá sentido aos poetas que leio e às madrugadas vazias. É ela, sempre ela; que me encanta nos cantores italianos e nas peças de balé.
Sem a melancolia eu provavelmente usaria drogas. Mergulharia no inconsciente. Mas ela me traz a reflexão, a degustação da minha história e dos melodramas que gosto de assistir na tevê. Ela me traz meu ar sério, minha sedução. Ela que enfeitou esses olhos que minha me deu. Graças a ela sou o que sou hoje. Se eu tivesse que brindar, brindaria à ela: melancolia.

Um brinde à melancolia!

Andante

Ando por aí como se tivesse milênios pela frente. E tenho. Toda alma boêmia tem. Os dias passam um de cada vez. Mesmo que sejam noites. Mesmo que emendem-se devido à falta de sono. Ando por aí como se fosse a própria encarnação da luxúria. E sou. Os pés leves, o olhar armado. A silhueta bailante.
Ando por aí como se o relógio não fizesse os ponteiros correrem cada vez mais rápido. E não faz. Prá mim, os ponteiros morreram cansados de correr tanto e em círculos. Meu dia é o sol e a lua. O vento marca as horas. O mundo tem seu próprio tempo.
Ando por aí, sem eira nem beira, como se não tivesse nada prá fazer. E não tenho. Nada que seja mais importante do que esse momento. Triste ou feliz. O momento é tudo o que tenho. Apesar de milênios pela frente. O minuto de uma música. De um sorriso. De uma lágrima. Esses minutos sim: pesam como anos.