sexta-feira, maio 21

Daquele coração que não é meu; mas está em mim.

Quando estava deitada em uma cama de hospital, sem poder mexer os braços, as pernas. Sem abrir os olhos. Sentindo aquela pressão que é o peso do corpo, o peso da alma, da dor. Nesse momento de profunda escuridão, onde os olhos não vislumbram nada, nem vultos - visto que vultos são negros e por isso se escondem nas sombras - nesse momento um voz trouxe calor ao meu coração. Uma de suas mãos se estenderam prá mim e lá de longe me levaram para o mundo onírico. E da escuridão passei para a Luz. E do frio, para o abraço. Ouvia sua voz cantando aquela música que - até hoje - de tempos em tempos, me põe a sonhar. E então sonhei:

Sonhei com campos cobertos de corpos, neve e sangue. Ouvi gritos. Uma bárbarie de sons cortantes e decidi que eram espadas. E me cérebro decidiu que aquele era meu reino e eu Rainha daquele guerreiro. E tinha você, em sua armadura de batalha, com sua espada, ao me lado, defendendo-me e ainda assim, permitindo que eu lutasse, que mostrasse minha força.
Logo depois, um flash e havia uma ponte de corda, uma flecha em meu peito, um mago em nossa volta e seu coração na sua mão. E você colocou o seu coração no meu peito. E eu pude ouvir a música que você cantava no quarto,e sentir um calor em meu corpo. E então você pegou o meu coração e colocou no seu peito e disse: "essa será a Rainha que nunca morrerá. Porque não pode morrer, pois o coração dela bate em outro peito e no peito dela, o meu coração sempre baterá."

E então eu acordei e você estava lá, com seu violão, sua voz e seu sorriso, todo seu corpo me dizendo bem-vinda. E eu nem agradeci na hora, nem depois, pela sua vida, que está viva em mim e a minha, que morreu em você...

Túmulo

Queria que me deixasse.
Que me abalasse.
Que me derrubasse desta torre
E me fizesse sentir
O tempo.
O Vento.
O sangue correndo nas veias.
Tudo que eu toco morre.
Tudo que eu sonho morre.
Tudo o que floresce de mim
Em mim morre.

sexta-feira, maio 14

Long Kiss Goodbye - Halcali



Kondo wa itsu aeru ka nante
Sonna kaoshite yoku ierutte
Omotteta yo nande darou
Nani mo ki ni naranai FURIshite
Ii wake suru nara kikou sama de
Tsunagatte taikara

Mou kao mo mitakunai megurokawazoi
Arienai tenkai odoru KEETAI
GOODBYE MEERU naraba wasuretai
"Hold me tight" but "dokka kietai"
Anytime shiberisugi no KY
Chirari miseru tsuyogari na "I cry"
Namida no kouka wa dore kurai?

Watashi na ri ni "ai saretai" afureru no ni kimi ga mienai
Nido to kimi ni aenai sonna ki ga surunda...
Tsutaetai no ni umai kotoba mietara nai watashi tabun
Uso demo ii no ni "ikanai demo" ienai yo

Kushami suru to deru hen na koeto
Kusha kusha ni warau BUSAIKU na kao
Tomaranai ase me wo kosuru kuse
Dou setsu maranai AITSU no tokusei

Nitemo nitsukenai futari no SUTAIRU
Muda ni Shy SENSU wa yayanai
Uso tsuku toki no fukumi warai
UZAI tokku ni BAREBARE mendokusai

Tamatama kareshi gai nai TAIMINGU de
Hima tsubushi teido no koi tte
Tomodachi ni mo ii wakeshitete
Masaka watashi ga oikaketeru...nande?

Tsumaranai JOOKU wa ittsumo kudoku
Douko made mo tsuzuku aki aki na TOOKU
Sono tabi ROKKU kondo wa watashi kara Knock

Watashi na ri ni "ai saretai" afureru no ni kimi ga mienai
Nido to kimi ni aenai sonna ki ga surunda...
Tsutaetai no ni umai kotoba mietara nai watashi tabun
Uso demo ii no ni "ikanai demo" ienai yo

Nigitteta te ga hanaretara
Kimi wa itsuka wasurechau no?
Watashi no koto

Love song (14x)

Watashi na ri ni "ai saretai" afureru no ni kimi ga mienai
Nido to kimi ni aenai sonna ki ga surunda...
Tsutaetai no ni umai kotoba mietara nai watashi tabun
Uso demo ii no ni "ikanai demo" ienai yo

Love song (14x)

Garotas como eu

Sabe qual o problema de garotas como eu????

Elas sentem o mundo no corpo.

sábado, maio 1

Descontrole

Tá bom! Admito: sou depressiva. Não com esse sentido perjorativo, mas com a licença poética de cada dia. Gosto de filmes tristes, de músicas tristes. De lembranças de pessoas que se foram. Gosto disso. De saber que, na minha cabeça, na minha vida, nas coisas todas, as lembranças sempre serão de algo que não volta mais. Ficam na minha memória como pérolas perdidas no oceano, poemas não-escritos e isso torna as coisas únicas prá mim.
Posso também confessar: além de depressiva poética, sou também exigente demais para o mundo moderno. Aposto muito nas relações humanas, nas minhas relações. E muitas e muitas vezes vejo que a modernidade retirou o comprometimento do cardápio de características positivas que uma pessoa pode ter. Soa até cafona dizer em voz alta: sou leal. Mas é. Eu sou... Fazer o quê?
Vá lá, meu relacionamento amoroso não vai bem, não possuo muitos amigos com quem queira compartilhar algumas das mais intimas coisas; mas escrevo elas aqui, porque sei que alguém pode ler. E não é nem pelo motivo da leitura. É simplesmente, porque, por aqui, é mais fácil dizer o que quero. Porque não quero conselhos, fosse assim, iria à um padre. Não quero que alguém me ouça lamurienta como sempre e diga: a vida e as coisas são assim. Quero o afago do silêncio e da frieza. A possibilidade de ter todos os sermões e um abraço. Tudo junto ao mesmo tempo.
E daí que as coisas na minha vida são assim? E daí que me namoro tá por um fio e eu sinto que sou a única pessoa em casa que se compromete e cumpre, que se preocupa e deixar a casa com cara de casa e não com cara de moquifo arrumado? E daí?
Daí que cansa. E a pessoa fica totalmente assim, como estou: sem paciência nem vontade de falar com ninguém que tenha uma cara conhecida. Descontrolada, gritando com todo mundo. Paciência. Paciência o cacete... Tenho lá cara de santa? Devo ter... Por isso tenho mais paciência do que gostaria...
Aff!

Confissões - Ele

Não admitia, mas no fundo precisava confessar: não a amava mais como antes. A amava bem menos do que antes. Não sentia mais tesão pelo seu corpo nu, jogado na cama horas a fio. Não sentia saudades em suas ausencias. De fato, não conseguia confessar que acabava, pouco a pouco, a vida de seu relacionamento. Para não mostrar isso, em todas as ameaças dela de ir embora e não voltar mais, ele pedia: "fique." e ela sempre perguntava o porque, e ele sempre respondia: "porque eu te amo.". Mas, intimamente sabia que não era verdade. Era falso. Não sabia mentir e sabia que ela sempre percebia ao menor descuido seu. Ela era sagaz, sentia as palavras e podia saber a verdade pelo som. Ele era um tanto covarde, tanto por deixar seu relacionamento chegar a este ponto quanto por não dar o tiro de misericórdia.
Sabia disso. E pensava muito sobre isso quando ela se recusava a abraçá-lo ou lhe dava beijos secos e sem amor. Mas, logo se distraia com seus afazeres e adiava para mais tarde o confronto. Sabia que uma hora ele chegaria. Mas não hoje, porque ele tinha muitas coisas para resolver.

Confissões - Ela

Olhando-se no espelho sentia o vazio que andava habitando seu peito fisgar uma parte do seu coração e apertá-lo um pouco mais. sentiu o peso nos ombros, aquele peso, daquela vida que andava levando. Percebeu que poderia passar o resto da noite naquele banheiro, daquele apartamento especifico que ela tanto detestava. Via as olheiras. Sentia o cansaço, mesmo depois de ter dormido mais de 10 horas seguidas. Estava feia. Sentia-se feia. Mal-amada, esquecida pelos toques de carinho e amor que antes eram constantes e lhe davam a confortável sensação de serem para sempre. Mas, principalmente, de serem de verdade.
Estava cansada de brigar. Não conseguia mais chegar perto dele, sentir seus braços envolvendo-a. Achava falso, mentiroso, um ato da mais profunda dessensibilidade humana, se é que isso pode existir. Havia se mudado para algum lugar escondido em seu espírito, esperando que aquele inverno passasse. Não ligava. Não queria. A única coisa em que conseguia se focar era em si mesma e seus trabalhos manuais. Sentia-se só. Invisível. Para ele, para todo mundo. E talvez é assim que gostava de se sentir: invisível, muda, transparente, desaparecida. Só as olheiras poderiam traduzir toda a sua inexistência atual. E gostava disso: dessa melancolia programada; a agonia perto do fim. Gostava porque sabia que depois do inverno sempre vem a primavera.