domingo, março 21

Sobre o Amor e o Amar - sentimentos que derivam.

Muitas e muitas vezes as pessoas não amam simplesmente por medo do sofrer. Sofrimento é algo que afasta os seres humanos de tudo aquilo o que eles desejam e procuram, como por exemplo, a felicidade que tanto é vendida pelos seriados dos canais pagos. "Nada seria mais triste do que um mundo sem esperança". Será?


Ao longo da minha estadia nesse endereço virtual, tenho exposto meus pensamentos sobre o amor, as relações amorosas, as duplas interpretações e o que pode ser dito amor e o que não passa de uma simples relação hormonal. Ao longo desse tempo também, reflito nas questões que mais me abalam, embora exponha pouca coisa, acredito que seja um longo processo initerrupto que passo desde que alcancei a minha vida acadêmica. Juntamente com isso, alcancei uma nova maneira de amar. Mas, persisto na maneira de ser amada. Por que?

Existe espaço para o Amor na vida das pessoas?

Não é facil darmos nosso coração para outra pessoa que - mais cedo ou mais tarde - se tornará um completo estranho para nós. De que maneira, portanto, driblaremos essa insegurança natural do ser humano? Quantas teorias metafísicas serão necessárias? Quantos iluminados percisarão pregar o amor? Diante de toda essa bagunça, do colapso econômico, a suspeita do tão aguardado fim do mundo, a projeção de um futuro auto-sustantável; a pergunta que me sobra é: existe espaço para o amor na vida das pessoas?


Eu tive uma amiga que sempre pregou que o amor verdadeiro era o de mãe, o resto não era amor. Depois dela, conheci o Luis - um amor de pessoa, se me permitem a brincadeira - e ele dizia que o amor estava em toda a parte. Pouco tempo depois, ao iniciar minha mediocre saga na filosofia estudei Aristóteles, que dizia que o amor era o único sentimento que nos aproximava de Deus. E, não muito tempo depois, conheci a história de São Francisco de Assis, por quem - hoje - dedico meus sentimentos mais religiosos. E para todos eles, desde a minha amiga até São Francisco, o amor era algo que fazia parte do mundo e das pessoas.


A minha proposta, infelizmente, nunca é tão clara como eu gostaria que fosse. Eu, muito menos pretenciosa do que já fui, contento-me em expor de maneira coordenada as idéias que passo dias remoendo. Hoje, gostaria de falar - mais um vez - do amor e do amar.
Voltando a pergunta central: será que existe espaço para o amor na vida das pessoas? Talvez, analisando melhor, a questão que precede é: as pessoas querem mesmo ser amadas?

Normalmente, quando dizemos que amamos o outro, quando devotamos à ele nosso amor, junto - no pacote - vem um monte de situações não-agradáveis, ciúmes, mimos, birras e tudo aquilo que conhecemos. Quando nos deparamos com esse sentimento, o amor, muitas vezes queremos que o outro nos ame como e da mesma forma que o amamos. Quase sempre, "amamos mais" do que somos amados. E isso acaba por levar ao fim um relacionamento saudável e tranqüilo para sempre.
O que posso concluir - sem muito aprofundamento - é que muitas vezes queremos sim, ser amados, mas queremos ser amados da maneira que julgamos merecer. E dentro de todo esse desejo de ser amado da melhor maneira possivel, estreitamos as possibilidades de mostrar e receber amor. Ou seja, estreitamos o espaço do amor em nossas vidas.
Para muitos homens a melhor forma de se dar e receber amor é através do sexo. Para muitas mulheres, nada melhor do que ele, literalmente, comprar o mundo inteiro para ela. A incompreensão entre os sexos não é uma questão de gênero ou sexualidade, é uma questão (a ser analisada posteriormente) de individualidades, pois essa incompreensão ocorre também nos casais de mesmo sexo.

O que gera muita frustração depois de alguns anos de namoro ou de casamento é justamente essa falta de espaço para amor. Tanto que muitos casais que se separaram amigavelmente reatam o relacionamento e até mesmo casam-se de novo e ainda completam dizendo: "faltava espaço para percebermos que nos amavámos e erámos felizes juntos.". Não que a separação seja a ultima opção dos casais e não que ela funcione em 100% das vezes. O que se torna claro prá mim nessa altura é que o espaço dado ao amor é insuficiente.

Do Amor para o Amar.

Se o espaço dado para o amor no nosso cotidiano é insuficiente o que podemos fazer para inverter essa situação? Dentro desse mundo pós-moderno, onde as pessoas andam nas ruas com seus fones de ouvidos e sentam-se afastadas uma das outras, como fazer o amor aparecer?

Como eu já disse em outro post, as pessoas não sabem amar. Porque é difícil, doloroso, porque o amor não é algo liquido, ele é viscoso, e o processo do amar é lento. Muitas pessoas acreditam que o amor se dá como nos filmes de Hollywood, instantâneo. E isso contribui muito para a des-educação do amor e o estreitamento do espaço do amor em nossas vidas.

Quando assistimos os filmes como PS: Eu te amo, Um amor prá recordar e por aí vai; queremos ser amados daquela maneira intensa e invariável. Mas, no cinema, não existem (ou pelo menos são ignoradas) as variâncias da vida cotidiana, a acidentalidade do destino é simplesmente uma ferramenta para que os atores principais fiquem juntos.

Na vida real não é bem por aí. Existem encontros e desencontros, oscilações entre o "querer o outro" e o "não querer o outro". O duro processo de amadurecimento da relação, e a crescente sensação de que "amar não é fácil". Tudo isso contribui, incessantemente, para que desejemos ainda mais o amor que vemos nos filmes. O que nos esquecemos é que o amor dos filmes não surgiu da idéia de algum produtor maluco, nos esquecemos de que um dia ele foi real, como amor de nossos avós e bisavós. Dentro dessa afirmativa, eu sei, existem falhas. Mas, o exemplo de avós é muito bom para eu explanar o processo que deriva o amar do amor.

Sabendo o que todo mundo sabe: o amor é um sentimento forte que sentimos por outra pessoa. Mas, está além disso. É algo que está sempre derivando sentimentos e mais sentimentos. Porém, ao tratarmos o amor como sentimento, queremos dizer que ele é sensação. E sensação só existe quando sentimos. Mas, o amor não é sensação. Ele é presente em todos os momentos e, na maioria das vezes, só sentimos a sua ausência e não sua presença.

Vários intelectuais se referiram ao amor como o sentimento mais importante que havia entre as pessoas. Mas o amor é fundamental para que façamos qualquer coisa, desde aprender até ensinar, conviver com diferenças e aceitá-las. Do amor derivam outros sentimentos como o de solidariedade, amor ao próximo, solicitude e bondade. Não coloco compaixão aqui porque a compaixão pressupõe que aceitemos aquilo que está errado no mundo e nos compadeçamos desse erro. O amor ele não aceita erros, egoísmo, frieza. Não pode aceitar o que está errado no mundo. Ele busca a mudança. Lentamente transforma o cenário e as pessoas. E essa transformação se chama Amar.

Amar não é fácil. Nos vemos fazendo coisas, repensando objetivos, nos vemos solícitos aos outros e muitas vezes não reconhecidos. Muitas vezes podemos nos sentir ridicularizados, sozinhos e usados; porém quando amamos existe uma força dentro de nós que vai para além das nossas próprias, que nos levam para longe da desistência e do individualismo. A unica coisa que não varia é o amar e amamos mesmo quando não somos amados, por isso mesmo conseguimos nos recuperar de uma fossa, acreditar em Deus, no destino.

Amor e Amar e os sentimentos que derivam deles são expressos todos os dias se deixarmosespaço para que eles se manifestem. Não depende de nós ou do outro, eles fazem de nós seus instrumentos. O que precisamos fazer é nós desapegar desse medo do fracasso e dessa ansiedade do "tem que dar certo". A liberdade é o caminho do Amor.

quinta-feira, março 11

Distância - Ele

Por mais que ainda sentisse algo por ela, um terrivel inqueitação o atormetava: ela estava diferente. Ele também se encontrava dentro dessa diferença. Existia nela. A possuia. Sabia que fazia parte de todo esse novo cenário, que foi intalado lentamente ao longo dos meses.
Estar com ela era sempre bom. Mas, as vontades contraditórias começavam a deixá-lo confuso, perdido e levemente impotente diante dela e de sua aparente independência. Não sonhava mais com ela. Não ria mais quando a via. Não sentia mais o frio na barriga quando, aos finais de semana, ela viajava.
O que fazia ele, ao lado dela? As vezes via em seus olhos sombras. Prenuncios de um possivel e mal-fadado fim. Calafrios percorriam sua face quando ele a via conversando com outro homem: mais forte ou mais inteligente.
As vezes, a vontade de estar sozinho era maior que o amor que sentia por ela. Mudaram. Mudou-se. E ainda não haviam se encontrado novamente.

Distância - Ela

Ao longo dos dias que passaram lado a lado, ela sentia-se cada vez mais distante daquele, que um dia, foi a pessoa mais intima e próxima dela. Ao ver que, enquanto ele lavava a louça, ela já não mais possuia o ímpeto de abraçá-lo e acarinhá-lo um sentimento de estranheza entrou em seu peito. Uma sombra passou pelos seus olhos.
Continuou ali, sentada no sofá da sala assistindo televisão, enquanto ele estava lá, lavando a louça que ela deixara suja desde o almoço. Pensava em coisas distantes. Um aperto no peito cresceu subitamente. Saudades dos tempos em que não se largavam em nenhum instante. Saudades de olhar naqueles olhos masculinos e sentir-se pertencente à ele.
Enquanto a novela se desenrolava, ela chegou a conclusão da impermanencia. Nem por isso, deixara de amá-lo. Só que agora, um amor arrogante, presunsoço instalara-se nas relações entre eles. Isso a magoava. Sabia que por mais que procurasse, jamais encontraria um amor incansável. Pois a natureza de todas as coisas, incluindo o sentimento, é a mutabilidade.