Meu nome é Deborah. Nasci em uma cidade do interior de São Paulo chamada Bauru. Vivi nesta cidade, integralmente, até os 18 anos da minha vida. Hoje, sou estudante de filosofia na UNESP, em Marília. Claro que existem coisas no meio desse caminho que não são agradáveis e nem merecem mais a atenção. E se merecem não a dou porque me dói o coração.
Minha familia é uma familia como qualquer outra, temos pai, mãe e somos em duas irmãs. Minha mãe é enfermeira no Instituto Lauro de Souza Lima - antigo leprozário Aimorés. Meu pai é mecânico e trabalha na firma da minha familia desde os 13 anos de idade. Minha irmã se chama Nathalia (eu que escolhi o nome) e é uma adolescente de quase 13 anos de idade. Temos também cachorros e gatos, além de uma tartaruga.
Quando eu era pequena minha mãe me ensinou a não magoar as plantas, pois elas sentiam dor e sofriam como nós e qualquer outro animal. Me ensinou a falar baixo e a respeitar o momento de falar. Ainda nessa época, eu gostava de ir ao trabalho com ela, além do Instituto ser um lugar muito bonito, a convivência com o lado profissional da minha mãe me proporcionou um conhecimento a respeito dela que hoje me é muito pecuiliar.
Cresci com meu primo Fábio, crescemos juntos e hoje estamos vivenciando a academia ao mesmo tempo. Primo por parte de pai, pois o lado da minha mãe é bem pequeno e somos somente 3 netos: eu, minha irmã e o Gabriel (nessa ordem cronológica). A familia do meu pai é descendente de japoneses. Minha bisa e meu biso vieram de lá, fugindo da guerra. Meus avós estão casados à quase 52 anos e ainda gosto de olhá-los, imaginando que eu poderia ter essa sorte de amar alguém durante tanto tempo. São 6 filhos, incluindo meu pai; 12 netos, sendo 2 já falecidos. No Natal era sempre bom estarmos juntos, porém, conforme crescemos e coisas acontecem a casa de nossos avós se torna pequena e vazia. Coisa que os entristece e a mim, as vezes, quando para prá pensar.
Minha irmã nasceu eu tinha quase 8 anos de idade. Já faz tempo. E sempre tendo a achar que ela é mimada demais. Ao mesmo tempo em que somo parecidíssimas, somos também distintas - tanto em nossa fase de maturidade (nem tanto assim) quanto na própria personalidade e preferências. Mesmo assim, gosto de estar com ela, quando não está de mau humor. Muitas vezes parece que temos a mesma idade.
Demorei um certo tempo prá gostar dos meus avós maternos. Sempre cheios de restrições e manias que eu não entendi quando criança. Hoje tenho muito respeito por eles, embora meu avô seja uma figura um tanto controversa na minha vida e nos meus sentimentos. Para eles eu sou a neta mais velha, a primogênita. São meus padrinhos de batismo e isso não significa muita coisa. Durante algum tempo fiquei afastada deles, hoje posso me dizer próxima de minha avó somente.
Ao longo da vida, as coisas se modificam, e tanto os fatos familiares quanto os outros nos formam, nos moldam e nos modificam. Não sei ainda bem. Mas, sei que isso é um fato.
Lembro-me de minha infância entre bicicletas, arvores e telhados, buracos nos jardim e jaboticaba no pé. Das visitas de familiares e amigos. Das brincadeiras e das mentiras. Dos amiguinhos de escola, que ainda me recordo quando, muitas vezes, não me lembro de ter almoçado ou não.
Lembro-me que fiz meu pai ir ao cinema prá eu assistir cavaleiros do zodíaco - a batalha final. Lembro-me de ter caído de bicicleta muitas vezes. Lembro-me de ter ido ao parque de diversões. Lembro-me da primeira vez na montanha russa. Lembro-me de ter desenrolado todo o papel higiênico do rolo. Lembro-me da professora Ivete, no parquinho. Lembro-me que roubava mandju (doce tipico japonês) na época de Natal e lembro também que mesmo grande não ajudava. Lembro-me de ficar horas fazendo qualquer coisa sozinha. Lembro-me que não gostava de bonecas e tinha um quase-medo do escuro, que hoje se agravou.
Lembro-me de tantas coisas, cheiros, roupas, pessoas, que pareço um arquivo morto ambulante... Creio que todos nós somos....
"Como é dificil viver carregando um cemitério na cabeça!" - Barão Vermelho.
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