sábado, março 28

Te quero

Te quero quieto
Como deve ser
Te quero tranquilo
Como sei que é
Te quero amavel
Como o contrário não existe
Te quero simples
Como as gostosas coisas
Te quero suave
Como pretende estar
Te quero forte
Como espero ser
Te quero ver

O sonho de valsa que você me deu tinha um gosto de samba....
Nada mais dificil do que ver o óbvio escondido em nossa vida.

terça-feira, março 24

Moral e Ordem Cronológica

A literatura já abordou todos os tipos psicológicos de conflitos eróticos, porém o mais simples dos motivos externos de conflito não foi considerado por causa de sua obviedade. Trata-se do fênomeno de já estar envolvido, a situação em que a pessoa amada se recusa a nós, não em virtude de inibições e antagonismos internos, nem por excesso de frieza ou de ardor reprimido, mas porque já existe uma relação, que exclui uma nova. N verdade, a ordem cronológica abstrata desempenha um papel que se gostaria de conferir à hierarquia dos sentimentos. No fato de estar comprometido, fora a liberdade de escolha e decisão, há ainda algo inteiramente contingente que parece contradizer por completo a exigência de liberdade. Até mesmo numa sociedade livre da anarquia da produção para o mercado, e com mais razão ainda em semelhante sociedade, dificilmente haveria regras que presidissem à ordem na qual as pessoas travariam conhecimento. Se fosse de outro modo, um tal dispositivo equivaleria necessariamente ao mais insuportável atentado à liberdade. Por isso mesmo a prioridade dessa casualidade tem fortes razões do seu lado: quando se dá preferência a uma nova pessoa, faz-se sempre mal à outram na medida em que todo um passado de vida em comum é anulado, toda uma experiência é riscada. A irreversibilidade do tempo fornece um critério moral objetivo. Este, porém, está intimamente relacionado com o mito, como o próprio tempo abstrato. A exclusividade contida no tempo desenvolve, de acordo com seu próprio conceito, no sentido de uma dominação excludente de grupos herméticamente estanquese, em definitivo, da grande indústria. Nada mais comovente que o medo da mulher que ama, de que uma outra possa atrair para si amor e carinho - suas melhores posses, pelo fato mesmo de que eles não podem ser possuídos - precisamente por meio daquele novidade que é produzida pelo privilégio do mais antigo. Mas, a partir desse sentimento comovente - sem o qual desapareceriam todo calor e toda a proteção - , um caminho irresistível, passando pela aversão do irmão caçula pelo desprezo dos estudantes das corporações pelos calouros, conduz às leis de imigração impedindo a entrada de todos os não-caucasianos na Austrália social-democrata e à erradicação das minorias raciais pelo fascismo, com o que, de fato, todo calor e proteção se desintegram no nada. Não somente como Nietzsche bem sabia, todas as coisas boas foram más uma vez; as coisas mais delicadas, abandonadas à prórpia inércia, tendem a culminar numa brutalidade inimaginável.

Seria ocioso pretender indicar uma saída para esse emaranhado. Não obstante, é possivel designar o aspecto fatal que põe em jogo toda aquela dialética. Trata-se do caráter excludente do que é cronológicamente primeiro. A relação inicial, em sua pura imediatidade, já pressupõe aquela ordem cronológica abstrata. Históricamente, o prórpio conceito de tempo formou-se tendo por base a ordenação da propriedade. Mas a vontade de possuir reflete o tempo como angústia diante da perda, diante do irrecuperável. Fazemos a experiência do que é em relação a possibilidade de seu não-ser. Com isso, é aí qie ele se torna mesmo uma posse, e é trocado por outra posse equivalente. Uma vez transformada por completo em uma posse, a pessoa amada, a rigor, não é olhada mais com atenção. A abstração no amor é o compleme4nto da exclusividade, que se manifesta de maneira ilusória como o contrário da abstração, como o apego a este ente único. Essa fixação deixa escapar seu objeto precisamente por fazer dele um objeto, deixando de alcançar a pessoa que, ela reduz à condição de uma "pessoa minha". Se as pessoas não fossem mais uma posse, também não poderiam mais ser trocadas. A verdadeira inclinação seria a que se dirige de maneira específica ao outro, que se prende aos aspectos que se ama, e não ao ídolo de personalidade, esse reflexo da posse. O específico não é exclusivo: falta-lhe a tendência à tonalidade. Mas, num outro sentido, ele é exclusivo: na medida em que, se não proíbe a substituição da experiência ligada indissoluvelmente a ele, por seu mero conceito impede que ela advenha. O que protege o que é totalmente determinado é o fato de que ele não pode ser repetido, e é justamente por isso que ele tolera o outro. A relação de posse entre as pessoas, ao direito exclusivo de prioridade, pertence exatamente a seguinte sabedoria: meu Deus, afinal são apenas seres humanos, e de qual deles se trata não é o mais importante. Uma afeição que nada soubesse dessa sabedoria não precisaria temer a infidelidade, porque estaria imune à falta de fidelidade.

Theodor Adorno - Minima Moralia

segunda-feira, março 23

E a vida retorna ao meu corpo

Depois de um longo e chatíssimo período onde fiquei longe da escreita, dos amigos e de mim mesma, retorno da minha viagem recarregada, cheia de energia e de vontade de viver.
Das coisas que acontecem e desacontecem. Das coisas que são e que mudam. Cheia de vida como se fosse a primavera, retomando o ciclo de vida que era o meu habitual.

"Viver e não ter a verganha de ser feliz. Cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz."

quarta-feira, março 18

Criando formas prá sobreviver.

Passo os meus dias, ultimamente, sem pensar em grandes coisas. Quero coisas novas, pessoas novas, vida nova. Quero me despir dessa indecência, desse mau-humor. Quero que as árvores façam as folhas refrescarem o dia e crescerem - aumentando a sombra.
Tenho criado idéias, coisas, formas. Tudo para poder sobreviver nesse mundo em que me sinto muito só.

segunda-feira, março 16

Fatos Deborianos

Meu nome é Deborah. Nasci em uma cidade do interior de São Paulo chamada Bauru. Vivi nesta cidade, integralmente, até os 18 anos da minha vida. Hoje, sou estudante de filosofia na UNESP, em Marília. Claro que existem coisas no meio desse caminho que não são agradáveis e nem merecem mais a atenção. E se merecem não a dou porque me dói o coração.
Minha familia é uma familia como qualquer outra, temos pai, mãe e somos em duas irmãs. Minha mãe é enfermeira no Instituto Lauro de Souza Lima - antigo leprozário Aimorés. Meu pai é mecânico e trabalha na firma da minha familia desde os 13 anos de idade. Minha irmã se chama Nathalia (eu que escolhi o nome) e é uma adolescente de quase 13 anos de idade. Temos também cachorros e gatos, além de uma tartaruga.
Quando eu era pequena minha mãe me ensinou a não magoar as plantas, pois elas sentiam dor e sofriam como nós e qualquer outro animal. Me ensinou a falar baixo e a respeitar o momento de falar. Ainda nessa época, eu gostava de ir ao trabalho com ela, além do Instituto ser um lugar muito bonito, a convivência com o lado profissional da minha mãe me proporcionou um conhecimento a respeito dela que hoje me é muito pecuiliar.
Cresci com meu primo Fábio, crescemos juntos e hoje estamos vivenciando a academia ao mesmo tempo. Primo por parte de pai, pois o lado da minha mãe é bem pequeno e somos somente 3 netos: eu, minha irmã e o Gabriel (nessa ordem cronológica). A familia do meu pai é descendente de japoneses. Minha bisa e meu biso vieram de lá, fugindo da guerra. Meus avós estão casados à quase 52 anos e ainda gosto de olhá-los, imaginando que eu poderia ter essa sorte de amar alguém durante tanto tempo. São 6 filhos, incluindo meu pai; 12 netos, sendo 2 já falecidos. No Natal era sempre bom estarmos juntos, porém, conforme crescemos e coisas acontecem a casa de nossos avós se torna pequena e vazia. Coisa que os entristece e a mim, as vezes, quando para prá pensar.
Minha irmã nasceu eu tinha quase 8 anos de idade. Já faz tempo. E sempre tendo a achar que ela é mimada demais. Ao mesmo tempo em que somo parecidíssimas, somos também distintas - tanto em nossa fase de maturidade (nem tanto assim) quanto na própria personalidade e preferências. Mesmo assim, gosto de estar com ela, quando não está de mau humor. Muitas vezes parece que temos a mesma idade.
Demorei um certo tempo prá gostar dos meus avós maternos. Sempre cheios de restrições e manias que eu não entendi quando criança. Hoje tenho muito respeito por eles, embora meu avô seja uma figura um tanto controversa na minha vida e nos meus sentimentos. Para eles eu sou a neta mais velha, a primogênita. São meus padrinhos de batismo e isso não significa muita coisa. Durante algum tempo fiquei afastada deles, hoje posso me dizer próxima de minha avó somente.
Ao longo da vida, as coisas se modificam, e tanto os fatos familiares quanto os outros nos formam, nos moldam e nos modificam. Não sei ainda bem. Mas, sei que isso é um fato.
Lembro-me de minha infância entre bicicletas, arvores e telhados, buracos nos jardim e jaboticaba no pé. Das visitas de familiares e amigos. Das brincadeiras e das mentiras. Dos amiguinhos de escola, que ainda me recordo quando, muitas vezes, não me lembro de ter almoçado ou não.
Lembro-me que fiz meu pai ir ao cinema prá eu assistir cavaleiros do zodíaco - a batalha final. Lembro-me de ter caído de bicicleta muitas vezes. Lembro-me de ter ido ao parque de diversões. Lembro-me da primeira vez na montanha russa. Lembro-me de ter desenrolado todo o papel higiênico do rolo. Lembro-me da professora Ivete, no parquinho. Lembro-me que roubava mandju (doce tipico japonês) na época de Natal e lembro também que mesmo grande não ajudava. Lembro-me de ficar horas fazendo qualquer coisa sozinha. Lembro-me que não gostava de bonecas e tinha um quase-medo do escuro, que hoje se agravou.
Lembro-me de tantas coisas, cheiros, roupas, pessoas, que pareço um arquivo morto ambulante... Creio que todos nós somos....
"Como é dificil viver carregando um cemitério na cabeça!" - Barão Vermelho.

Memórias de quem já foi feliz.

Alguns tempos atrás, não muito, eu era feliz. Sentia a minha vida escorrendo em meus braços e felicitáva-me saber que o dia de amanhã não tardaria a chegar. Coisas pequenas faziam o meu dia valer a pena, todos os dias. Eu não era amargurada muito menos ocupada demais. Eu era simples, vivia de forma simples e gostava da vida.
Hoje me pergunto por onde anda aquela menina dos olhinhos puxados, das risadas incessantes e dos sonhos coloridos... Me pergunto por onde anda eu mesma e minha vida e porque tudo anda tão maluco e esquizofrênico.
Não sei onde deixei minha vida. Em que coração frio e cruel desperdiçei o meu amor. Quer dizer, até sei. Mas, de que adianta saber? As coisas não voltam. O fluxo da vida é claro e somente prá frente é que andamos. Como andamos e por qual motivo não se sabe. Nem se sonha. O futuro é uma quimera descabeçada com oito dedos em cada mão.
E quando me perguntarem o que eu fiz da vida, o que responderei? Responderei: vivi, amei e morri de amor... Porém, nada mais justo ao último romântico morrer de amor nunca mais amar...