sexta-feira, dezembro 25

Sobre o Amor.

Recentemente, adquiri uma nova e bela obsessão: falar sobre o amor. Embora pareça careta falar sobre isso, penso que nunca existiram tantos sites e agencias de relacionamentos no mundo. Nunca se falou tanto em "como manter seu casamento feliz" ou em "como conquistar a pessoa amada." O que antes era um papo esotérico e se dirigia somente às mulheres de casamento falido ou às adolescentes que procuravam marido, agora encontra alento nos braços de homens e mulheres que desejam tornar seu relacionamento "mais saudável, mais feliz, mais vivo" e consequentemente "encontrar o amor verdadeiro".
Não que eu ache isso tudo uma baboseira.Acredito sim que é importante que se tenha um relacionamento saudavel com seu companheiro ou camapanheira. Mas, receio, porém, que todas essas orientações e "ajudas" e conselhos nos façam perder de vista as dificuldades de se amar uma pessoa. Quando digo isso: amar uma pessoa, digo amar mesmo.
Ouço muita gente por aí que namora e até põe no Orkut que ama tal fulano mais que tudo, dizendo que ainda espera encontrar o grande amor, o amor infinito, de cinema, que pode tudo e que durará vidas e vidas além. Não existe maior hipocrisia. O amor é algo que se apresenta de muitas formas. Mais do que podemos imaginar. E isso só acontece porque somos diferentes e percebemos as coisas de forma diferente, certo? Errado. (Não querendo absolutizar nada) O que acontece é que só vemos o amor de várias formas e conseguimos senti-lo de várias formas, porque não conseguimos sentí-lo inteiro.
O Amor não é somente o sentimento que nos faz sentir vida e alegria. É também um sentimento pesado, denso e que vai além dos limites humanos. Isso mesmo. Nem sempre aquele que ama é feliz e supera todos os obstáculos. Se acreditamos que o amor pode tudo, devemos lembrar que muitas vezes nós não podemos. Embora eu goste mais de acreditar que o amor seja essa coisa tão linda e bonita e feliz e divina; preciso colocar os pés no chão: não é isso que o amor é.
Não é minha função aqui explicar e definir o que seja. Mas, penso que muitas vezes falamos demais "eu te amo" do que deveríamos e quando essa frase se torna sincera, ela raramente passa da barreira que formam nosso dentes. Muitas e muitas vezes os casamentos se acabam porque o amor acaba, mas esperem aí, o amor não acaba! Nós é que nos afastamos dele. Simples assim. Não quero dizer que ele seja infinito. Mas, quero dizer que ele não acaba por acabar, não é como a luz de uma vela que quando acaba o pavio não ilumina mais, mas é como o tempo que sempre corre, mesmo que os relógios e ampulhetas não possam contar.
Matamos o amor. Todos os dias, da mesma maneira como matamos crianças e animais e árvores. A rotina, o egoismo e a falta de comunicação entre as pessoas promove o mais frio e cruel assassinato: o assassinato do amor. Ao inves de olharmos somente para nossos planos de vida, devemos sempre olhar com atenção o do outro e fazer ajustes, devemos saber onde está o outro dentro de nós e nos perguntar se ele está onde merece que está e fazer novos ajustes. Devemos nos privilegiar da companhia do outro e dar ao outro o privilegio da nossa e aí, fazer novos ajustes. Nenhuma relação se completa sem eles. São necessarios, trabalhosos e doloridos. Mas, fundamentais para que a frase: "eu não te amo mais" não seja pronunciada inconsequentemente.
Penso que essa onda de sites, blogs e livros sobre relacionamentos é um indicador de que não sabemos mais nos relacionar. Penso também, que o alto indice de divórcios (mesmo eu não sendo contra eles) no mundo é outro indicador de que não sabemos mais como construir uma relação duradoura. Isso tem remédio? Quando e onde podemos mudar isso? E por que devemos mudar esse quadro?
As respostas eu não tenho. O que tenho são somente inclinações para crer que o amor é peça chave na felicidade das pessoas e na sensação de completude e felicidade que tanto buscamos. Dessa forma, mudar a forma como "aprendemos a amar" seria o primeiro passo para amar as pessoas.

Um comentário:

Unknown disse...

Bravo Deh!
Sempre surpreendendo, cativando e enlouquecendo...
Esta é, com toda a certeza, um ótimo parecer sobre o amor.
Algo em que há verdades [absolutas sim] e que pode mudar a cabeçinha de muita gente.
Abraço.