sábado, dezembro 26

Luis - De quando terminamos

Deborah,
Acabo de chegar em casa: sem você. Hoje é o dia mais infame da minha vida. Hoje percebi que te perdi, por inúmeros motivos. Os bobos, os óbvios, os cegos, os bons e os maus. Esse fracasso eu nunca poderei esquecer: o fracasso de não saber amar.
Acredito piamente que o problema não é não saber amar. Mas, é não ter conseguido amar você. Da forma como uma mulher como você mereceria ser amada: com paixão, fervor, intensidade e fluidez. Não posso negar que o nosso relacionamento mudou a minha vida. Você e fez perceber coisas maravilhosas, até mesmo reconheço a divindade da vida e do amor por sua causa, porque me deste esta oportunidade. Sem você, permaneceria cego caminhando sem rumo algum nesse mundo e nos outros que encontrasse.
Não posso aceitar o fim. Estarei aqui. Permanecerei ao seu lado e se pretende que sejamos apenas amigos, se é isso que o Universo permite, é isso que seremos. Mas, nunca olharei você sem desejo. Nunca aceitarei outros ao seu lado e nunca permitirei que te machuquem. Porque tomo pra mim a responsabilidade de cuidar-te, amar-te e mostrar para você que posso ser o homem que as mulheres procuram e desejam. O homem certo.
Deborah, provável que fiquemos longe por um tempo. Preciso disso. Obvio que assim que te ver, todas essas nuvens em meus olhos, se desfaçam, porque é você que me hipnotiza quando anda pelos corredores com seu ar de superioridade. Parece que Deus, quando te mandou pra cá, mandou com a idéia de mudar as coisas. Você mudará as coisas. Mesmo que não acredite e tenha motivos de sobra pra não acreditar. Mas, eu acredito. E as pessoas que são tocadas por você também acreditam.
Minha amiga, meu amor, minha paixão, meu desassossego, meu desapego, minha eternidade. Saiba que é isso mesmo que você deve fazer: mostrar para nós, homens, como devemos nos comportar. Seja, sim, passional, caprichosa, mimada, mostre-nos como devemos amar. Como devemos entender a alma do feminino, a sua alma, mãe de todas as outras.
Minha caríssima, olho pra ti e tenho a sensação de és velha, anciã, que sabe todos os segredos do mundo, do amor e do sexo principalmente. Seus olhos me dão um arrepio na espinha porque sei que você pode me desmanchar como um castelo de cartas. Possui um poder natural sobre as pessoas. Você seduz, no bom e no mau sentido: vislumbra como cobra. O medo foi a única coisa que você tirou de mim. Poderia me dirigir pra morte que eu iria feliz, apaixonado e crente de ser o certo. Amo você. Sempre amarei. Terei de aprender a viver de outra forma com você. Mas, viverei. Por você permanecerei vivo mesmo quando existir mais nada nem ninguém.

sexta-feira, dezembro 25

Sobre o Amor.

Recentemente, adquiri uma nova e bela obsessão: falar sobre o amor. Embora pareça careta falar sobre isso, penso que nunca existiram tantos sites e agencias de relacionamentos no mundo. Nunca se falou tanto em "como manter seu casamento feliz" ou em "como conquistar a pessoa amada." O que antes era um papo esotérico e se dirigia somente às mulheres de casamento falido ou às adolescentes que procuravam marido, agora encontra alento nos braços de homens e mulheres que desejam tornar seu relacionamento "mais saudável, mais feliz, mais vivo" e consequentemente "encontrar o amor verdadeiro".
Não que eu ache isso tudo uma baboseira.Acredito sim que é importante que se tenha um relacionamento saudavel com seu companheiro ou camapanheira. Mas, receio, porém, que todas essas orientações e "ajudas" e conselhos nos façam perder de vista as dificuldades de se amar uma pessoa. Quando digo isso: amar uma pessoa, digo amar mesmo.
Ouço muita gente por aí que namora e até põe no Orkut que ama tal fulano mais que tudo, dizendo que ainda espera encontrar o grande amor, o amor infinito, de cinema, que pode tudo e que durará vidas e vidas além. Não existe maior hipocrisia. O amor é algo que se apresenta de muitas formas. Mais do que podemos imaginar. E isso só acontece porque somos diferentes e percebemos as coisas de forma diferente, certo? Errado. (Não querendo absolutizar nada) O que acontece é que só vemos o amor de várias formas e conseguimos senti-lo de várias formas, porque não conseguimos sentí-lo inteiro.
O Amor não é somente o sentimento que nos faz sentir vida e alegria. É também um sentimento pesado, denso e que vai além dos limites humanos. Isso mesmo. Nem sempre aquele que ama é feliz e supera todos os obstáculos. Se acreditamos que o amor pode tudo, devemos lembrar que muitas vezes nós não podemos. Embora eu goste mais de acreditar que o amor seja essa coisa tão linda e bonita e feliz e divina; preciso colocar os pés no chão: não é isso que o amor é.
Não é minha função aqui explicar e definir o que seja. Mas, penso que muitas vezes falamos demais "eu te amo" do que deveríamos e quando essa frase se torna sincera, ela raramente passa da barreira que formam nosso dentes. Muitas e muitas vezes os casamentos se acabam porque o amor acaba, mas esperem aí, o amor não acaba! Nós é que nos afastamos dele. Simples assim. Não quero dizer que ele seja infinito. Mas, quero dizer que ele não acaba por acabar, não é como a luz de uma vela que quando acaba o pavio não ilumina mais, mas é como o tempo que sempre corre, mesmo que os relógios e ampulhetas não possam contar.
Matamos o amor. Todos os dias, da mesma maneira como matamos crianças e animais e árvores. A rotina, o egoismo e a falta de comunicação entre as pessoas promove o mais frio e cruel assassinato: o assassinato do amor. Ao inves de olharmos somente para nossos planos de vida, devemos sempre olhar com atenção o do outro e fazer ajustes, devemos saber onde está o outro dentro de nós e nos perguntar se ele está onde merece que está e fazer novos ajustes. Devemos nos privilegiar da companhia do outro e dar ao outro o privilegio da nossa e aí, fazer novos ajustes. Nenhuma relação se completa sem eles. São necessarios, trabalhosos e doloridos. Mas, fundamentais para que a frase: "eu não te amo mais" não seja pronunciada inconsequentemente.
Penso que essa onda de sites, blogs e livros sobre relacionamentos é um indicador de que não sabemos mais nos relacionar. Penso também, que o alto indice de divórcios (mesmo eu não sendo contra eles) no mundo é outro indicador de que não sabemos mais como construir uma relação duradoura. Isso tem remédio? Quando e onde podemos mudar isso? E por que devemos mudar esse quadro?
As respostas eu não tenho. O que tenho são somente inclinações para crer que o amor é peça chave na felicidade das pessoas e na sensação de completude e felicidade que tanto buscamos. Dessa forma, mudar a forma como "aprendemos a amar" seria o primeiro passo para amar as pessoas.