domingo, agosto 30

Aos meus defuntos no Armario

Estão sozinhos agora. Mudei, passei dessa prá melhor. Estou pronta para dar o próximo passo e nessa mala vocês não cabem. Já pedi as desculpas e fiz o que pude. Carreguei culpa e raiva. Já não posso mais viver assim; consegui sair do buraco e agora posso andar com as minhas pernas novamente.
Por isso estamos livres. Eu de vocês e vocês de mim.
A partir de agora: estou em paz.

quarta-feira, agosto 26

Terra de ninguém

Trago minhas mãos sujas de sangue.
Grosso, espesso, amargo.
Trago meu peito carregado de sonhos.
De fé e de esperanças.
Toda a guerra tem sua contagem.
Mortos e feridos pra um lado.
Vencedores do outro.
Nada muda.
E nunca é o mesmo.
Além do fim?
Se nas minhas mãos trago sangue.
Nos meus olhos tenho estrelas.
Se meu peito é vazio.
Minha alma me completa.
Se no instante o dia aparece.
Num segundo se desfaz.
Minha terra é terra de ninguém.
Meus sonhos não são de ninguém.
Minha vida não me pertence.
Moro onde não existe nada.
Nada, na terra de ninguém.

?

Poutz, hoje aconteceu algo engraçado. Coisas que nem sei porque ou como acontecem. De repente, me vi ali, na frente da casa dele, na mesma rua que cruzei tantas vezes de mãos dadas, abraçada com ele e tudo o mais.
Um desconforto grande.
Ainda existem coisas pendentes?
O que mais deveria ter acontecido?
Não sei, não faço idéia. Tanto eu quanto ele seguimos a nossa vida de uma maneira bem diferente. Nunca mais nos vimos ou nos falamos. Não tem importancia também... Ou será que tem?
Só sei que uma vida vivida com raiva e culpa não vale a pena.
Só isso que eu sei.