Eu vi você de longe. Amaciei seus cabelos, apertei sua mão. De longe. Não tive coragem de mostrar-me, ao contrário, me escondi atrás de uma árvore. Aquilo tudo que existia, existe. Dúvidas embaçam meus óculos. Como posso estar perto e estar longe ao mesmo tempo?
A vida passou atrás de você enquanto eu olhava e decidia se chamava ou não. Não chamei. Não olhei prá trás. Não pensei duas vezes antes de dizer tchau. Não quis conversa nem visita. Não quis café nem calmante. Quis somente aquele momento. Aquele. Em que você passava e eu ficava. Esperando.
E as esperas me fazem bem ou mal. Não importa. Ao mesmo tempo, você andava e meus passos parados no ar, suspensos, travados, fincados no chão não andavam. Não mexiam enquanto você passava. Passavam pássaros, formigas e lagartos. Não prá mim. Aquele momento - só passava você. Será que passava também em minha vida? Ou somente na calçadinha - indo prá casa?
Sensação de que me deixava. Ou eu te deixo e nem percebo? Quanto tempo? Eram três da tarde. Chorei e não sabia porque. Não via motivos. Via a passagem. Os passos, as passadas. Cabeça baixa prá esconder as lágrimas, me escondi prá que não me achasse. Nem percebe. Nem nota que enquanto você passa, passado meu volta e revolta dentro de mim. Não acusa - mudo - que a distância eu que causei.
Depois da festa feita - dos copos quebrados - existe o vinho no chão. Quando? Onde? Por que? Não sei. Não quero saber. Quero ver aquele momento que passa. E eu, como que escondida da vida atrás da arvore, não vi os passos que dei. E eu, como que fugindo da vida atrás da árvore, passei.
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