quinta-feira, janeiro 8

Eu comigo mesma.

Já não aguento mais certas coisas da vida. Já não me prendo mais como me prendia, desesperada por um lugar onde ficar, pessoas para estarem comigo. Não. Não mais.
Faz um tempo já, eu entendi que se tiver que ser sozinha, serei sozinha. E não será aquela solidão triste, angústiada, daqueles que passam a vida esperando a morte. Não, será aquela solidão que me trará bons frutos, porque hoje eu sei me suportar, sei quem sou e o que eu gosto. Eu, comigo mesma, nos damos bem.
Perdi amigos. Ganhei cicatrizes dentro do meu coraçã e carrego alguns pecados em minha alma. Porém, isso não tem mais importância diante de tudo o que aconteceu comigo e da forma como me perdi de pessoas interessantes e importantes prá mim.
Não podemos medir as atitudes das pessoas, nem como prever as coisas que acontecerão. Isso nos foge das mãos, dos olhos, da alma. E por muitas vezes nos culpamos, nos perdemos. Diante disso não podemos fazer nada. Paramos, respiramos, as vezes até choramos, mas passa.
Descobrir que tudo é passageiro me fez ver o que é definitivo. E isso me torna livre. Porém, as vezes me entristeço. Me afogo, me afasto. Imperfeita, infiel e instável como algo que sempre muda e muda sempre. Assim me sinto. Diante de todas as minhas perdas, encaro a perda de mim mesma como a pior. 
Quando foi que cresci?
Quando foi que deixei de amar você?
Quando foi que esqueci seu aniversário?
Quando foi que eu acordei e não dormi mais?
Quando foi que eu abandonei meus sonhos e vontades?
Quando foi que me perdi de maneira tão estranha e distante de você?
Quando foi que nos reencontramos e não nos reconhecemos mais?
Quando foi que virei isso que eu sou? Quando?
Meu passado foi ruim. Fui ruim em meu passado. Fiz coisas que não me orgulho, fiz coisas que não conto a mais ninguém. 
Mas, o pior de hoje é não conseguir chorar. Não ter mais com quem....
As pessoas estão longe. Distante de meus olhos e minhas mãos. Pior é não poder chorar... Não poder contar o seu lado porque vão pensar que estou me fazendo de vitima. Não sou vitima, apenas me arrependo de alguma coisa que tenha feito. Não tenho esse direito? Não tenho o direito de me defender?
O peso desse dia-a-dia me ensurdece, emudece, desafina, sufoca. Não ter com quem falar.... Só as paredes para me ouvir...

Quando foi que apaguei a luz?

Agora que achei que estava indo bem... descubro que não...

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