Além dos Nós.
Uma Filosofia de Quinta.
quarta-feira, agosto 1
Carta ao passado
sábado, dezembro 17
Vazio
O que ele fazia ali, se ela não estava mais?
quarta-feira, dezembro 14
Despertar
Vai saber quando
Na volta prá casa, debaixo de chuva,
no ônibus lotado.
Na padaria, no cinema.
Na festa de aniversário da vó.
No jardim, debaixo da árvore.
Vai saber quando...
terça-feira, setembro 6
Das Decepções
quinta-feira, setembro 1
Considerações
quarta-feira, agosto 24
Se reapaixonar é possível?
De uns tempos prá cá, muitas pessoas tem falado que para um casal permanecer unido é necessário se reapaixonar. No entanto, embora meu lado idealista diga ser isso possível, uma outra coisa me faz pensar se isso realmente poderia se dar no plano prático das coisas. Portanto, vamos ao tema.
A possibilidade e o amor.
Me ter defendido anteriormente que era possivel uma pessoa se apaixonar por outras pessoas enquanto estava com uma e que isso não desfazia o primeiro sentimento - relacionado a primeira pessoa - mas, se apaixonar pela mesma pessoa várias vezes é possível? Ou será que nunca deixamos de estar apaixonados?
O termo apaixonado aqui não quer dizer aquela loucura, mas sim, somente, ter um sentimento que faça com que o sujeito queira estar/manter um relacionamento. Ou seja, não há nada de mirabolante em nada do que estou dizendo.
Muito bem, a pergunta foi simples, mas a resposta talvez não seja e talvez não exista. Analisando tudo o que eu penso, eu tendo a dizer que nunca deixamos de gostar daquela pessoa, mas sim, que esse sentimento varia de intensidade de tempos em tempos. Sendo assim: não, não nos reapaixonamos pela pessoa.
Mas, então o que acontece?
Reapaixonar-se ou redescobrir-se?
Imagino que o que acontece seja sempre uma redescoberta do outro. As pessoas mudam de interesses, de posturas, de idéias e o nosso sentimento por ela sofre todas essas variações. Sofre no sentido de ser afetado e não de sofrer mesmo. Quando redescobrimos o outro, podemos gostar ou não do que vemos. Muitas vezes, casais enfrentam crises por causa disso. A nova orientação do parceiro tem o poder de gerar um conflito que pode até fazer com que se separem.
No entanto esse reapaixonar-se, essa redescoberta é muito importante para que o relacionamento evolua. Pensar que a pessoa que está ao seu lado se mantém a mesma desde quando você a conheceu é o mesmo que dizer que a água não evapora. As mudanças, mesmo que sutis, se não percebidas podem gerar um encanto ao contrário.
Todo mundo muda. O sentimento muda junto. Pode virar amizade, pode se tornar amor, pode ficar dormente, pode virar até mesmo raiva; mas o que importa é que ele muda. E que aa redescoberta desse sentimento e do outro é necessária para um relacionamento que pretende se manter.
Como nem sempre o outro se torna o que queremos, posso ousar dizer que esse "reapaixonar-se" se deva, principalmente, pela descoberta dos aspectos positivos que o outro tem e, também, pela compreensão da perspectiva do outro nessa história.
Portanto, acabei de desdizer o que eu disse, vendo que é possível se reapaixonar sim, mas não no sentido de retomada, mas sim, no de continuidade.
terça-feira, agosto 23
Eu não te amo.
É impossivel amar sem que haja amor do outro lado.
terça-feira, junho 14
Morador de rua cuida de 10 cães
Vive de doações de ração, remédio e comida. Os cães são muito bem tratados, mas dependem do amor e do carinho que o Rogério tem por eles e da caridade daqueles que o conhecem e admiram.

Ele fica próximo a pontos de ônibus na avenida Georges Corbusier, após a rua Jequitibás (região do Jabaquara, em São Paulo ), os cães não atrapalham ninguém, são super-educados e simpáticos (todos castrado(a)s) e passam boa parte do dia dentro da carroça.
Ele é muito querido pelos comerciantes da região mas, o problema é durante a madrugada, bêbados ao volante e garotos usuários de droga da região tem sido um constante perigo.Rogerio ja foi espancado por jovens que chegaram a jogar alcool nele enquanto dormia com os cães dentro da carroça, por sorte não tiveram tempo de acender o fósforo, pois um dos cães latiu e o avisou do perigo.
Ele é um exemplo de como uma pessoa pode se doar. Alguém na condição dele, poderia ter escolhido outros caminhos, mas Rogério demonstrou coragem e decidiu perseverar. Além de ser uma pessoa de muito valor , faz caridade prá deixar muito bacana por aí no chinelo. Sua presença ilumina os lugares por onde passa, mas ele já está cansado e também não é mais tão jovem assim.
São muitas as agressões que ele e os cachorros vêm sofrendo, que vão desde o assalto ao espancamento, até atentados contra a vida como esfaqueamento e atropelamento. Enfim, é muito sofrimento para alguém que luta tanto. Na região todos o conhecem e apreciam, tanto que na última vez que uma turma veio bater nele porque queriam roubar suas coisas, o dono de um bar próximo saiu para enfrentar os safados e começou a dar tiros, colocando todos em fuga. Mesmo assim, o Rogério passou dois dias no hospital por conta dos machucados recebidos e, se não fosse pela intervenção do dono do bar, os cachorros já seriam órfãos.
Assim, diante de tudo isso, peço que ajudem a divulgar esta história para que o Rogério possa conseguir uma oportunidade que lhe propicie melhores condições de moradia e de vida, em qualquer cidade, para que ele possa cuidar não somente dos seus, mas de outros tantos cães abandonados por esse Brasil e que precisam de muitos cuidados e de carinho. Já lhe ofereceram abrigo mas, desde que os cães ficassem para trás, o Rogério recusou, pois para ele, estes cães são como filhos; são sua familia.
Outro dia ele estava levando todos os cães a um pet shop para tomarem banho - 11 cachorrinhos felizes – eram originalmente 10, mas agora apareceu mais um, um fox paulistinha que eu não conheci porque no momento que conversavamos estava no banho. Ele disse que havia passado remédio contra pulgas nos cachorros e que o tal remédio é meio melado, e então teve que dar banho em toda a tropa. Perguntei quanto ele iria gastar para dar banho em todos os cachorros e ele, sorrindo como sempre, disse que a moça do pet shop o ajudava e não cobrava nada. Santa alma! Aí eu perguntei a ele – e você? Onde toma banho? Ele me respondeu que tomava banho no posto de gasolina da esquina, banho frio, gelado mesmo. Disse que como era nordestino, estava acostumado.
`As vezes faltam palavras que possam definir a grandeza de uma alma como esta, que mesmo não tendo quase nada para si, dá o pouco que tem para minorar o sofrimento desses pobres animais de rua. Muito mais importante dos que a aparência, a riqueza e o poder ostentado pelas pessoas, são suas atitudes e seus valores éticos e espirituais.
Cada dia que passa, aprendo a admirar cada vez mais o ser humano que ele é.
Abraços
Obrigado e ajudem a divulgar esta bonita história.
C r e a t i v e W o r k
domingo, maio 15
quinta-feira, abril 28
A ilusão de dizer "eu não te amo mais".
Notas Iniciais.
Devido algumas reflexões levantadas por amigos em e-mails, resolvi escrever sobre esse tema. Muitas vezes é mais fácil acreditar que deixamos de amar alguém. Muitas vezes é melhor acreditar nisso. Infelizmente, isso não ocorre somente nos relacionamentos amorosos, mas também, em relacionamentos amistosos, fraternais e parentais. Provavelmente existe alguém em nossas vidas que cumpre ou cumprirá o papel de nos fazer ter a maior de todas as decepções do mundo. Porém, eu me pergunto: isso é o suficiente para deixarmos de amar alguém?
O Amor e suas formas derivadas.
Eu já procurei trabalhar isso anteriormente em um texto chamado: Amor e sentimentos que derivam. Aparentemente, não consegui abordar isso de forma suficiente para que ficasse claro. E mais, talvez seja hora de retomar velhas preocupações.
No que concerne a definição de amor, eu sei tanto quanto qualquer um. Porém, tendo embasado toda minha visão em um sistema cristão – que foi onde fui educada e onde decidi permanecer – o amor é um sentimento que faz parte do ser humano tanto quanto a raiva, o ciúme e mesmo o egoísmo e a indiferença. E é por ele que aprendemos e florescemos. Claro que isso não ocorre sempre dessa maneira. Porém, mesmo fingindo que as coisas não se dêem assim, não posso conceber que uma mãe ensine seu filho e o proteja puramente por instinto. Existe algo mais nessa relação, algo que, na humanidade adquire a forma de amor. Não posso falar pelos outros animais, não tenho cacife para tanto.
Voltando a questão da derivação, penso que existe o primeiro amor que sentimos: o amor materno. A falta desse, penso eu, acarreta alguns problemas no futuro. Vejo que uma família sólida consegue passar a ideia de que aquele ser faz parte de algo completo e seguro, fortalecendo nele polos positivos no que concerne à sentimentos e relacionamentos. Mais uma vez, nem sempre isso é verdade.
Através do primeiro amor com o qual temos contato, podemos derivar outros tipos de amor - como por exemplo, a amizade, o companheirismo, a solidariedade e a compaixão - que se estendem à pessoas inicialmente ou permanentemente estranhas a nós. Essas formas derivadas de amor só existem porque existe um amor que os precede, um amor que muitas pessoas não conseguem acreditar que exista ou mesmo conseguem sentir. Mas, eu não sou uma dessas pessoas. Em suma, existe um amor, mesmo que ele seja puramente conceitual e ideal e que só sirva para “guiar” os homens na terra.
Amor acaba?
Essa é uma grande questão para mim. Parece óbvia minha resposta, seguindo os passos que tenho dado neste post. Embora idealista e um tanto quanto fantasioso, eu acredito no amor e que ele não acaba. Não é um amor a qualquer custo, que, sob todas as circunstâncias mais malucas do mundo, ele permanecerá inalterado.
Muito pelo contrário. Acredito que ele não acabe. Porém, se somos seres dinâmicos, porque nossos sentimentos deveriam ser estáticos e fixos? De maneira alguma acredito que um casal se ame da mesma forma todos os dias. Nem que o amor de uma mãe não sofra alterações ou mesmo dois amigos se apreciem da mesma forma como uma receita que não muda há 25 anos. Não é isso.
Como eu mesmo já disse, o amor se deriva ao longo de nossas vidas e relacionamentos que mantemos ou descartamos. Se ele “muda” de pessoa para pessoa, porque não muda durante uma relação? Pensando bem, isso é mais do que provável, pois já vi vários relacionamentos amorosos terminarem porque havia “amizade demais” entre o casal. E sendo assim, poderíamos dizer que o amor acaba? Não nesse sentido.
O amor, os homens e suas ilusões.
Não posso dizer que todo mundo ame. Muito menos que todas as pessoas conheçam o amor. Não tenho pretensões universalistas. Meu ponto de vista é só mais uma perspectiva no caleidoscópio. Mas, posso dizer que uma grande parcela das pessoas já se iludiram de uma maneira geral. As ilusões amorosas são as campeãs no top 10 das desilusões que as pessoas tem durante a vida. Até os poetas se perguntam “quem nunca se desiludiu no amor”?
Porém, a ilusão que eu trago aqui é uma diferente. A ilusão de dizer que não amamos mais alguém. Vou atentar para a situação onde os casais se separam amigavelmente, sem transtornos. Ou quando ainda se pode manter contato e preocupação com o companheiro. Ou mesmo naquelas inúmeras tentativas de consertar algo que não tem funcionado em um relacionamento para que ele volte a ser proveitoso e evolua.
Nesses casos a ilusão é acreditar que acabou o amor, que ele deixou de existir e só sobraram frangalhos do amor que um dia existiu. Por que, então, se preocupar com o outro? Por que buscar uma saída? Por que não aceitar que isso que está por trás da tentativa, da preocupação, do famoso “carinho especial” não é o amor derivado?
O amor se destila durante as relações que estabelecemos. Ao longo de nossas escolhas feitas e não feitas. Depois de um tempo conhecendo a pessoa, convivendo com ela, podemos simplesmente dizer que não a amamos mais? Esse carinho e essa preocupação surgem de onde? De onde vem a vontade de tentar mais uma vez? Vem do amor. Ideal, primeiro e que se transforma em suas derivações naturais.



