sábado, dezembro 17

Vazio

A casa era dela. Os tapetes, as tigelas, as xícaras. Os baldes, os panos, os sofás, as cortinas. Até mesmo a caneca da Oktoberfest que ela havia comprado para ele era dela. Tudo era dela. As correspondências, a geladeira, as frutas, os animais, os quadros, porta-retratos, as pias, o chuveiro. Era tudo dela.
O que ele fazia ali, se ela não estava mais?

quarta-feira, dezembro 14

Despertar

Seus olhos se abriram e se fecharam. Nesse segundo só deu para ver: eram castanhos. Um sorriso, um suspiro, um sonhar. De olhos fechados, vendo o mundo como se estivesse embaixo da água. Os sons distorcidos, a luz difusa. Quase um comercial de perfume maluco que passa na tevê a cabo... Sentia tudo na pele e, como que uma bailarina...
Bailarina...
Bailarina...
Bailarina...
Sabia que quando abrisse os olhos, de manhã, após despertar, tudo, nunca mais seria igual. Mas, mesmo assim, passaria rimel e saíria pela porta da frente, tal como uma bailarina.
Bailarina.

Vai saber quando

Vai saber quando...
Na volta prá casa, debaixo de chuva,
no ônibus lotado.
Na padaria, no cinema.
Na festa de aniversário da vó.
No jardim, debaixo da árvore.
Vai saber quando...