A semana foi cheia. Sua vida inteira foi cheia de coisas vazias e sem-sentido contra as quais ela lutava e lutava com ardor e paixão. Perdera muito. endurecera muito e estava perdida. Afundava novamente no que antes achava ser "verdadeiro". Tudo o que ela menos precisava era brigar com ele. Lembrava de que quando se conheceram ela teve aquela ilusão de que ele fosse diferente. Mas, aos poucos, a impressão de que o pó rotineiro se acumulava em tudo e que ela não seria capaz de arrumar essa bagunça aumentava. A vontade era a mesma de sempre: começar do zero. Essa vontade sempre reaparecia quando ela perdia a fé.
A briga foi grande, por pouca coisa como sempre, porém, dessa vez, milhares de moléculas de raiva e frustração se acumularam em seu coração, tornando-o cego e impelindo-a para o lado escuro do yin-yang. Mas, desta vez, quando ela parou de falar todas as moléculas cruéis que saiam de sua boca, só sobrou lágrimas e depois apatia. E silêncio. Não queria mais conversar, não porque queria encerrar o assunto (como sempre fazia) mas, porque não existiam mais forças nela para isso.
Talvez ele não entendesse. Talvez ela estivesse tão frustrada com a vida que levava que não conseguia ver o quanto ele a amava. Mas, ver não é o dom feminino. Ela queria sentir. Sentir algo, qualquer coisa que a tirasse desse torpor pós-moderno-tecnológico que se instalara como um elefante na sua sala. Talvez o que ela quisesse sentir dele não fosse amor. Fosse vida. Queria sentir a vida, o Movimento. Preferia isso ao invés de Idelaizar como serão as coisas depois que a tormenta passar. Isso tudo é possivel. Queria ajuda prá poder sair de casa e "encarar a vida" como ele mesmo disse. Mas, ela não acreditava que aquilo, aquilo que ela vivia era uma vida.
Só queria ficar ali, quieta. Ele tinha medo de chegar mais perto do que um passo. Aquele lobo ainda rosnava de longe para ela. Ele a magoou e dessa vez ela simplesmente derramou lágrimos, não lutou, não resitiu e não mostrou prá ele que ela era quem era: forte e firme. Viva. Ela simplesmente calou o choro e se escondeu em algum lugar da sua mente, esperando que alguma alma piedosa a levasse embora ou a fizesse ver o milagre divino do "estar vivo".