domingo, novembro 15

Limite - Ela

A semana foi cheia. Sua vida inteira foi cheia de coisas vazias e sem-sentido contra as quais ela lutava e lutava com ardor e paixão. Perdera muito. endurecera muito e estava perdida. Afundava novamente no que antes achava ser "verdadeiro". Tudo o que ela menos precisava era brigar com ele. Lembrava de que quando se conheceram ela teve aquela ilusão de que ele fosse diferente. Mas, aos poucos, a impressão de que o pó rotineiro se acumulava em tudo e que ela não seria capaz de arrumar essa bagunça aumentava. A vontade era a mesma de sempre: começar do zero. Essa vontade sempre reaparecia quando ela perdia a fé.
A briga foi grande, por pouca coisa como sempre, porém, dessa vez, milhares de moléculas de raiva e frustração se acumularam em seu coração, tornando-o cego e impelindo-a para o lado escuro do yin-yang. Mas, desta vez, quando ela parou de falar todas as moléculas cruéis que saiam de sua boca, só sobrou lágrimas e depois apatia. E silêncio. Não queria mais conversar, não porque queria encerrar o assunto (como sempre fazia) mas, porque não existiam mais forças nela para isso.
Talvez ele não entendesse. Talvez ela estivesse tão frustrada com a vida que levava que não conseguia ver o quanto ele a amava. Mas, ver não é o dom feminino. Ela queria sentir. Sentir algo, qualquer coisa que a tirasse desse torpor pós-moderno-tecnológico que se instalara como um elefante na sua sala. Talvez o que ela quisesse sentir dele não fosse amor. Fosse vida. Queria sentir a vida, o Movimento. Preferia isso ao invés de Idelaizar como serão as coisas depois que a tormenta passar. Isso tudo é possivel. Queria ajuda prá poder sair de casa e "encarar a vida" como ele mesmo disse. Mas, ela não acreditava que aquilo, aquilo que ela vivia era uma vida.
Só queria ficar ali, quieta. Ele tinha medo de chegar mais perto do que um passo. Aquele lobo ainda rosnava de longe para ela. Ele a magoou e dessa vez ela simplesmente derramou lágrimos, não lutou, não resitiu e não mostrou prá ele que ela era quem era: forte e firme. Viva. Ela simplesmente calou o choro e se escondeu em algum lugar da sua mente, esperando que alguma alma piedosa a levasse embora ou a fizesse ver o milagre divino do "estar vivo".

Limite - Ele

Estavam tensos, brigaram o dia todo dentro daquele apartamento pequeno. A aura local estava pesada e deprimida. Era dificil por serem tão diferentes. Idealismo e Movimento estavam em confronto direto aquele dia. Embora ele parecesse frágil e sensível, mantinha secretamente um lobo dentro de si, que rosnava e arreganhava os dentes da boca para intimidar e machucar seu oponente. Cercavam-se de dedos e de silêncio, arrogância e orgulho. A situação não estava palpavel.
Para ele, a mania dela de não responder as perguntas era irritantemente frustante, pros dois. Ele acreditava que as coisas se resolveriam conversando, mas ele mesmo não sabia se conseguiria manter o diálogo. Estava frustrado por não conseguir manter o controle sobre o limite que estava se impondo na relação, por não conseguir satisfazer as exigencias dela. Seu olhar sempre duro e seu silencio dava prá ver até nos fios de cabelo. Não andava satisfeita com as coisas, estava sempre séria, deprimida e o afastava de sua mente e de seu corpo. Ele não sabia como lidar com isso.
A briga toda começou quando ele fez um apontamento fora de hora. Normalmente não viraria aquele furacão. Mas, desta vez foi como se ela se transfigurasse em outra pessoa. Sua expressão não era a mesma das outras brigas. Estava frágil. Chorou. Gritou e bateu de frente com ele, mas desta vez, sem esperanças de se impor. Era quase um pedido de ajuda. As coisas reviviam em sua mente e em seu estômago. Queria abraçá-la, mas sua frieza o congelara.
Todas as vezes que ele tentou prendeu a atenção dela, ela simplesmente ignorara.

segunda-feira, novembro 2

Quando não sabemos que caminho pegar o
melhor a se fazer é entregar-se às paixões.